Ela pesa exatamente 4.260 gramas de ouro e 710 gramas de bronze. Foi criada, em 1974, pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga. Ainda pertence, transitoriamente, ao Brasil. Mas está guardada na França desde 3 de dezembro, véspera do sorteio das chaves. Guardada em cofre especial no subsolo da Federação Francesa de Futebol, sob vigilância de um comando do Raid, versão francesa da Swat americana - unidade militar de investigação, intervenção e dissuasão. A Copa do Mundo é coisa séria, muito séria.
Para o filósofo espanhol Jorge Senprun, radicado em Paris, a taça da bola é o troféu esportivo mais cobiçado em toda a História da humanidade. Nós, 162 milhões de brasileiros futeboleiros, concordamos plenamente com isso. Até porque a primeira série do troféu, a taça Jules Rimet, já é nossa em caráter definitivo. Tão nossa que foi roubada e derretida por um pé-de-chulé nas barbas da CBF.
O futebol é o único esporte verdadeiramente global. E, de certa forma, o único que não faz distinção de raça, credo ou classe. Multinacional da bola, a Fifa congrega 192 países. Mais que a ONU, que se contenta com 186. Calcula-se em 240 milhões o número de pessoas, homens e mulheres, que batem sua bolinha pelo menos uma vez por semana em todo o mundo. No Brasil, uns 30 milhões para variar, também somos os campeões do mundo em futebol informal.
Como é que é? Seguinte: com 162 milhões de habitantes, o Brasil tem apenas 577 mil jogadores inscritos em nossos 13.328 clubes registrados em cartório. A Escócia, nosso adversário na festa de amanhã, tem apenas 5,3 milhões de habitantes (há mais cariocas do que escoceses no mundo), mas tem 152 mil praticantes de carteirinha. Na Noruega, pedreira do terceiro jogo, o futebol per capita é igualmente bem maior que o brasileiro: 287 mil inscritos para 4,4 milhões de habitantes.
Historiadores do futebol localizam a primeira semente do jogo no ‘‘kemari’’ chinês de 2600 a.C. Algo parecido estaria no ‘‘epyskiros’’ grego e no ‘‘harpastum’’ romano. Na Idade Média, o pebol reaparece como o ‘‘poule’’ francês e com o ‘‘calcio’’ toscano. O sociólogo Gilberto Freyre (1900-1978) prefere identificar a origem de tudo entre os índios pré-cabralinos do Maranhão. Dezenas de cada lado, chutando bolas de caucho entre dois paus.
O ‘‘football association’’ de hoje é invenção inglesa. Ele teria nascido na cidade de Rugby (com versão para as mãos), dentro de um clube chamado Bigside, nos idos de 1841. Ele desembarcaria no Porto do Rio de Janeiro, há exatamente um século, pelos pés de marinheiros escoceses. Era uma pelada. O primeiro jogo sério, com regras e juiz, só ocorreria entre nós com Charles Miller, estudante paulistano, dono das bolas. Bolas de capotão, ‘‘Made in England’’.
Secos e molhados
No paralelo

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