Joelmir Beting


‘‘Investir em telecomunicações é o melhor atalho para reduzir as desigualdades regionais em países de dimensões continentais.’’

John Naisbitt, consultor americano.

Vai dar linha?
O território brasileiro é quase sete vezes maior que o da Colômbia. E a economia do Brasil é oito vezes maior que a colombiana. Mas, em telefonia, estamos ainda a meio caminho da plataforma existente na Colômbia. Temos 11 telefones por 100 habitantes, contra 23 na Colômbia. Ou 27 na Argentina, 29 no México, 31 no Chile. Até por comparação com a América Latina, temos de descontar esse atraso na raça e no grito. A privatização do Sistema Telebrás é um tiro de partida e não uma fita de chegada.
O monopólio estatal deixou-se ficar menor que o Brasil. E não pode (nem deve) ficar do tamanho do Brasil. E não apenas o das telecomunicações. Também o do petróleo, da eletricidade ou dos transportes em geral. A limitação do monopólio estatal (em todos os países do mundo) não é de gestão nem de tecnologia. É de capital. Ou de opção de políticas públicas em uma nação ainda por fazer, como o Brasil. Ou seja: devemos desviar recursos do Tesouro Nacional ou dos governos estaduais e municipais para modernizar e ampliar a telefonia, o petróleo, a energia, o transporte? Ou não seria mais adequado, no atual estado de emergência nacional, concentrar todos os recursos do setor público na infra-estrutura social.
Essa não é a percepção da esquerda brasileira. Que volta a se apresentar na raia para as urnas com um modelo econômico dos anos 50, como se viu sexta-feira, em página inteira, na Gazeta Mercantil, sob o título ‘‘Como seria a economia do PT. Um modelo que atrasou e empobreceu o Brasil cor de anil.
Voltemos ao futuro. Com a privatização do Sistema Telebrás, a partir dos leilões casados de 29 de julho, os investimentos em telecomunicações serão triplicados com capitais privados nacionais e estrangeiros. No período 1997/2003, o monopólio estatal contava investir US$ 38 bilhões. O setor privado ensaia investir US$ 90 bilhões. Isso elevaria a plataforma telefônica de 22 milhões de linhas, este ano, para 41 milhões de assinantes na telefonia fixa e mais 23 milhões na telefonia celular. E com índice de digitalização do sistema aproximando-se de 100%.
A densidade saltará de 11 linhas por 100 habitantes para 23/100 na telefonia fixa. Na telefonia celular, a densidade chegará a 14/100, segundo estimativa da Dataquest. Com 4,2 milhões de assinantes na banda B e 8,5 milhões na banda A. E o que dizer da escalada das redes privadas de multisserviços, pelas quais já começam a trafegar na mesma infovia voz, imagem, dados e multimídia?
A explosão das telecomunicações, já na Idade Digital, guarda relação com a lógica mesma da revolução tecnológica: produtos e serviços cada vez melhores a custos e tarifas cada vez menores. Há quem diga que estamos no limiar de um novo renascimento na história da Humanidade: a democratização da informação. Afinal, desde que o bicho-homem deixou a caverna, saber é poder.Secos & molhados
Uma pechincha
- O setor de telecomunicações ostenta a maior deflação da economia moderna por obra e graça de saltos tecnológicos estrepitosos. Estudo do Banco Mundial mostra que a tarifa média das ligações telefônicas, nos Estados Unidos, despencou 37 vezes nos últimos 25 anos.
Uma convulsão
- A pechincha continua. Vem aí a telefonia global sem fio, com custo fixo de implantação absurdamente baixo se cotejado com os troncos submarinos de fibras óticas. O serviço começa em setembro, o do consórcio Iridium.
Em extinção?
- O celular global estréia mais caro que o digital da banda B. Em mais três anos, se tanto, passará a custar menos. Em mais dez anos, o celular estará fazendo da telefonia fixa uma raça em extinção, na mesma sina da ariranha e do mico-leão.
Sem freios
- Em todo o mundo, o mercado das telecomunicações cresce 22% ao ano. Dobra em apenas três anos.

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