A ministro das Finanças, Theo Weigel, disse ontem na televisão que a taxa de desemprego na Alemanha deve ser ‘‘decodificada pelos críticos da inércia oficial’’. Primeiro: ela explodiu de menos 7% para mais de 12% a partir da incorporação da Alemanha Oriental em 1990. Nos escombros da economia ‘‘socialista’’, o desemprego disparou para 19% da população economicamente ativa. As empresas obsoletas é que estão sendo ‘‘desempregadas’’ aos milhares ainda hoje.
O segundo desconto político para o desemprego alemão, de acordo com o ministro, é o contrapé dos imigrantes de baixa qualificação. Na maioria, exilados ou banidos da fragmentação das ‘‘repúblicas populares’’ do Leste, começando pela Iugoslávia. De cada dez exilados, desde 1991, sete estão sem emprego. Perto de 920 mil. Ou quase um quinto do desemprego total.
A terceira explicação está na generosidade do seguro-desemprego. Dá para ficar um ano parado ganhando 80% do último salário. A quarta justificativa do desemprego de 11,8% é a verdadeira questão de fundo; os custos da mão-de-obra, petrificados por contratos leoninos (para as empresas). Resumo do tranco: no setor industrial, o alemão custa US$ 26,70 por hora trabalhada, contra US$ 17,20 do americano, US$ 15,10 do inglês e US$ 12,30 do japonês. Fonte: OCDE/97. No Brasil, a coisa não passa de US$ 2,80.
O lado bom: nunca se viu tamanha transferência de renda do capital para o trabalho. É de fazer Karl Marx revirar-se no túmulo, em Londres. A fatia do trabalho na renda nacional alcança, desde a década passada, 76%. O capital fica com 24%, menos de um quarto. O lado ruim: na base mineira do ‘‘se melhorar, estraga’’, a economia alemã perdeu mercados dentro e fora de casa, ligando a tomada do desemprego. Até os anos 70, ela funcionava em regime de pleno emprego. Chegou a importar 25% da mão-de-obra total.
Aqui entra a quinta causa da atrofia do mercado de trabalho: a exportação crescente, não de produtos, mas de fábricas. A indústria alemã está investindo fora da Alemanha, nesta década, US$ 34 bilhões por ano. Ela supera o Japão e só come a poeira da ‘‘extroversão’’ americana. Exportar fábricas é exportar empregos, salários, impostos.
Na questão do trabalho, a fundamental, a Alemanha paga tributo, não ao fracasso, mas ao sucesso da chamada ‘‘economia social de mercado’’.


SECOS & MOLHADOS
Sem trono

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