Sexta-feira, 13. Dia sob medida para discutir, em reunião ministerial, a primeira do ano, a face tenebrosa da economia brasileira ainda em fase de convalescença: o descarte montante da força de trabalho, especialmente a do setor industrial. De janeiro de 1995 a dezembro de 1997, a indústria demitiu 16,3% dos trabalhadores. Na Grande São Paulo, 19,3%.
Sem recessão, sem estagnação, sem marcapasso. O PIB do Real vem crescendo 3,5% ao ano. A desaceleração maior, a dos últimos cinco meses, tempo de ‘‘choque importado da Ásia’’, deve entrar em reversão a partir de abril. Afinal, para desconsolo dos fracassomaníacos da análise econômica, o Brasil não acabou depois do Natal nem depois do carnaval. Já se admite 3% para o índice gregoriano de 1998, repeteco do ano passado. Algo em torno de 2% no primeiro semestre e de 4% no segundo. A retomada começaria, para valer, em 1999.
A expansão da economia só vai eliminar o desemprego dito conjuntural se o PIB crescer acima de 6% ao ano, sustentadamente. A expansão não encaixa o desafio maior: o desemprego estrutural, tornado transparente pelo processo de modernização das empresas de todos os portes e ramos. É cada vez menor a unidade de trabalho na realização de cada unidade de produto. Tanto mais, porque partimos de uma base degradada, feita de empregos ruins com salários péssimos.
Na coluna de ontem, mostramos que a modernização beneficia o consumidor no primeiro tempo do jogo bruto e beneficia o próprio trabalhador no segundo tempo. Ainda estamos na metade do primeiro tempo de um jogo que dura 12 anos, em média. Ou seja: o desemprego estrutural só estará equacionado a partir do ano 2001, na metade do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Na conversa ao pé do rádio com a cidadania (e o eleitorado), o presidente disse, terça-feira, que vai declarar ‘‘guerra ao desemprego’’ na reunião ministerial de hoje: ‘‘Quero que todo o governo, em todos os escalões, fique empenhado em combater o desemprego em todas as frentes. Dessa guerra devem participar os governos estaduais, as prefeituras municipais e as organizações empresariais.’
Pacote contra o desemprego? Na reunião de hoje, o governo não vai anunciar medidas. Vai avaliar programas. E cobrar decisões. Entre outras, o desencalhe, no Senado, do Estatuto das Micros e Pequenas Empresas, endereço de três em cada quatro empregos no Brasil e no mundo.
Secos e molhados
Pela base

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