Porque o Brasil não acabou entre o Natal e o carnaval, desmontando o terrorismo econômico que se instalou no rabo de foguete do famigerado pacote fiscal, as reservas brasileiras de março deverão igualar as reservas brasileiras de setembro - antes do ‘‘crash’’ de bolsa importado da Ásia, via Wall Street.
O indicador das reservas no alto e em alta iguala o indicador de vendas das fábricas e das lojas - que está longe de caracterizar o ‘‘estado de profunda depressão’’ anunciado para a economia brasileira do primeiro trimestre. Os catastrofistas de novembro e dezembro simplesmente tomam chá de sumiço. Um deles me pegou ontem pelo braço: ‘‘Nossas previsões de recessão purgativa não se confirmaram porque andaram tomando providências com base em nossas advertências.’’
Tradução: fazer previsão pessimista sobre matéria econômica continua sendo um exercício profissional absolutamente confortável. Se ela se confirma, o autor é um gênio. Se ela não se confirma, é porque ‘‘os erros denunciados foram devidamente reparados’’. Tem mais. Previsões pessimistas são levadas invariavelmente a sério. Previsões otimistas são tratadas com indiferença. Ou, pior, na galhofa.
Voltemos às reservas. Nem só de juros abusados vive a atração de dólares alheios. O mercado de ações, movido a taxas de risco e não a taxas de juro, permanece com a porta de entrada maior que a porta de saída. Empresas brasileiras não perderam o crédito lá fora e prosseguem levantando empréstimos ou vendendo títulos no mercado financeiro. E as multinacionais, ignorando os apuros da ressaca asiática, ampliam seus investimentos no Brasil - com generosa apuração de lucros e remessa de parcela dos próprios.
Dados preliminares, cruzados em Brasília na semana passada, apontam para um ingresso de investimentos diretos das múltis, este ano, da ordem de US$ 20 bilhões. Ou 17% maior que o volume recorde do ano passado. Ou 13 vezes a média anual do Brasil pré-Real. Também os investimentos diretos, de caráter (re)produtivo (e não meramente especulativo), dispensam a cenoura dourada dos juros reais mais elevados (e autofágicos) do planeta.
Em resumo: bancos, fundos e múltis continuam mantendo o Brasil na mais alta conta - antes, durante e após a fuzarca global detonada a partir de Hong Kong na última semana de outubro. Questão de credibilidade junto a empresas que fazem funcionar a economia real, a economia de produção. Nossa credibilidade só está esgarçada na mesa de especuladores em transe. Ou de economistas notáveis que adoram assustar criancinhas e pombinhas.
Secos e molhados
Sem choque

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