Joelmir Beting
Céu azul, sem vento, frio seco de 5 graus. Previsão para este fim de semana na área de Nova York. O fim de semana mais agitado para o comércio lojista de Manhattan, com feriadão do Presidents Day na segunda-feira, robustecido pelo Valentines Day no sábado.
Assim casadas, no mesmo fim de semana, as duas grandes datas promocionais do varejo estão levantando a maior bolha de consumo do ano. Maior que a do Natal, estima o The New York City Department of Consumer Affairs. E não é para menos. O Valentines Day, amanhã, é o dia da fraternidade na tradição da família americana. Parentes e amigos - e não apenas os namorados, que pegam carona nessa data - trocam presentes num repeteco do clima natalino. E o Presidents Day simplesmente patrocina as maiores liquidações do ano.
E tome farra de consumo, desde ontem. Lojas apinhadas, funcionando em regime de hora extra: das 8 da manhã às 10 da noite. Inclusive no sábado, no domingo e no feriado da segunda-feira. As promoções são realmente estrepitosas: descontos de 50% a 70% sobre preços já rebaixados na ressaca natalina de janeiro.
A oferta predileta da maioria das lojas em pé de guerra é a do leve dois e pague um. Isso vale para sapatos, confecções, brinquedos, eletrodomésticos, móveis e decoração, materiais esportivos, celulares, bens de informática. Descontos de até 40% contemplam automóveis, náutica, eletrônica de consumo, materiais de construção.
Turistas estrangeiros pegam essa onda com apetite de orca ártica. Entre eles, a leva de pelo menos 12 mil compristas brasileiros que se revezam, semanalmente, nas lojas da Big Apple. Onde se compra uma calça jeans Ralph Lauren por US$ 19,99. Ou um notebook Toshiba por US$ 1.199.
O comércio lojista dá conta do recado porque a estabilidade econômica encoraja o planejamento de compras e de estoques. A rotação dos produtos funciona hoje on-line nas lojas, nos depósitos, nos transportes e nas fábricas. E mais: o horário comercial é absolutamente livre e não há reserva de mercado para pontos-de-venda. Entra ou sai do negócio quem quer, com o mínimo de burocracia cartorial.
No mais, viva o consumerismo made in USA, a sociedade do eu consumo: logo, existo. Hoje, na versão eu consumo: logo, emprego. O desemprego nos Estados Unidos está abaixo de 5%, contra mais de 12% na Europa mão-de-vaca.Secos e molhados
Pegou mal





