''Na economia, o otimismo nada melhora. Mas, cuidado! O pessimismo tudo piora''

James Tobin (1918-2003), Prêmio Nobel de Economia



Piorômetro religado

Quando o Banco Central desenha um cenário otimista, a economia não dá bola e a sociedade nem se toca. Não se leva o otimismo a sério. Bem ao contrário, quando o Banco Central rabisca uma projeção pessimista, aí a economia entra em pânico e a sociedade permanece no brejo.

Ou na sábia lição de Tobin: o otimismo não funciona, mas o pessimismo tem poder de indução ou de persuasão. Faz parte da natureza humana: toda expectativa de crise provoca a própria crise, que sanciona a dita expectativa.

Vai piorar

Ocorre que o Banco Central não confia no mercado, treme de medo do Brasil e, pessimista, adverte que se melhorar, estraga. Quer dizer: só a recessão controla a inflação. Bastaram alguns indícios de reaquecimento econômico, ainda que sazonais, para recolocar na retranca a política monetária do crédito curto e caro.

Para o Banco Central, na tal de Ata do Copom, a inflação emite sinais de refugo crescente da meta estabelecida para 2004 (de 5,5%). Enquanto o mercado financeiro ainda aposta em declínio do IPCA (de 9,3%, em 2003, para 5,9%, em 2004), o Copom deixa escapar que a inflação estaria acomodando-se no patamar de 9%.

Logo, fogo de napalm no crédito, no consumo, na produção e no emprego. Somos o único mercado imbecil do mundo não sabemos vender mais sem remarcar tudo. Digno, portanto, de permanecer na jaula do arrocho monetário.

Será mesmo?

Ocorre que a inflação do Real está sendo usinada e reciclada pelos preços e tarifas controlados pelo governo austero e não pelos preços e contratos praticados pelo mercado selvagem. O arrocho monetário ignora os culpados e castiga os inocentes.

Ano passado, para um IGP-DI de 8,9%, a alta dos preços controlados foi de 16,5%, contra 7,2% dos preços livres. Para este ano, o próprio Banco Central projeta variação acumulada de 7,8% para os preços controlados e de 4,5% para os preços livres.

Jogam o jogo

Os coroados do Copom assustaram-se com a sondagem da FGV, divulgada na semana passada: 43% das 410 empresas consultadas estão a fim de remarcar preços neste primeiro trimestre. Viva! As outras 57%, não! E 7% destas programam redução de preços.

Com o lembrete: faz parte do jogo do mercado ameaçar a demanda com reajuste de tabela. Esse aviso prévio, que pode não passar de blefe de boca, desde os fenícios, costuma antecipar negócios e desovar estoques. Sem desconto nem promoção.


Quem segura

Quem segura a inflação é o tripé armado nos anos 90, no mundo inteiro, Brasil no meio: 1) competição nos mercados (travando preços e rompendo repasses); 2) modernização nas empresas (enxugando custos e protegendo margens); 3) informação dos clientes (cada vez mais exigentes, seletivos e infiéis).

Nada a ver com crédito bancário abaixo de 25% do PIB no Brasil ou acima de 110% do PIB na tigrada. Lá, com crescimento econômico sustentado de 7% e inflação abaixo de 5%.

O Copom deles foi afogado no Oceano Pacífico. Na mesma fossa abissal onde repousam, desde os anos 70, os despojos acadêmicos dos monetaristas e dos estruturalistas.

Com o epitáfio assinado por Bismarck: ''O pessimismo jamais ganhou uma única batalha.''

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