JOELMIR BETING
Só os economistas imaginam que todo problema econômico seja estritamente econômico.
Celso Furtado, economista
Riso Brasil
Riso ou risco? Well. A avaliação perpetrada pelo capital volátil é a do risco-país. O julgamento emitido pelo capital produtivo é o do riso-país. O primeiro aceita e fatura o risco. O segundo apalpa e decide pela certeza de um ganho perene maior que o risco intermitente.
Vai daí que o Brasil já transitou pela lanterna do ranking global do risco-país. Em 2002, ficamos só à frente da Nigéria no coma e da Argentina no brejo. Agora, risco na faixa de 400 pontos, ainda estamos acima da média dos 25 maiores emergentes - 375 pontos na semana passada.
Quem fala ?
O novo ranking global do capital produtivo, elaborado pela consultoria Edelman, coloca o Brasil no pódio da nação que desfruta do maior índice de credibilidade do mundo inteiro. Só.
As sondas de opinião da Edelman, pesquisadora do ramo, acessaram executivos de grandes empresas e acadêmicos americanos e europeus de primeira linha nas áreas de Economia. Administração, Sociologia e Política. Foram auscultados na virada do ano.
Não menos relevante: pesquisa encomendada pela próxima edição anual do Fórum Econômico Mundial, de Davos, marcado para a última semana de janeiro.
Dá Lula Lá ?
Voltando agora do México e já afivelando malas para uma visita de cinco dias à Índia, o chanceler brasileiro Luis Inácio Lula da Silva, que está presidente da República, bem que poderia dar um pulinho a Davos em seu retorno da Índia.
Cartão de visita dourado é o que não lhe faltaria nesta ocasião. Bastaria brandir em plenário o ranking de confiabilidade da Edelman, com os cinco primeiros colocados, pela ordem:
1.Brasil - 60%
2.Estados Unidos - 51%
3.China - 50%
4.França - 47%
5.Inglaterra - 46%.
Coisa séria
De resposta múltipla, a pergunta básica: em qual país você mais confiaria hoje para a realização de negócios ou a instalação de empresas?
Com todos os nossos defeitos, incluídos os de caráter, deixamos o mundo todo comendo nossa poeira. A confiança no governo da vez é de 54% para o Brasil, de 48% para os Estados Unidos e de 31% para a União Européia.
Quem diria ?
País mais confiável do mundo? A taça é nossa. De posse transitória. O resultado surpreende e embasbaca. Algo a ver com a queda do risco Brasil, o do capital volátil, da faixa de 2.400 para a faixa de 400 pontos nos últimos 15 meses. Ou a partir da eleição de Lula.
Igualmente dá liga com C-Bond agora cotado pelo valor de face sem deságio e com a rebrota do crédito externo abundante ou oferecido.
Para os analistas da Edelman, o ingresso dos investimentos diretos estrangeiros (IDE), das empresas transnacionais, poderá superar a previsão dos analistas locais para este ano: até US$ 13 bilhões. Pode dar US$ 15 bilhões. Ou ainda mais. Uai.





