JOELMIR BETING
Quando o mercado passa a funcionar mal, é porque está precisando de mais mercado.
Robert Lucas, Prêmio Nobel de Economia
Credibilidade virou crédito
Câmbio na faixa baixa de R$ 2,80 demonstra que a lei do mercado flutuante não falha para o mal nem para o bem: se a oferta ultrapassa a demanda, a cotação desce. A despeito da intervenção com aviso prévio (sic) do Banco Central.
Tem-se no mercado que o BC está mesmo interessado em refazer reservas aqui na baixa e não, propriamente, em manipular a desvalorização do real a serviço do superávit comercial e da desaceleração mais veloz dos preços e dos juros.
Até porque, se a compra de dólares de intervenção resultasse agora em aumento da cotação, haveria um truísmo cambial: aumentar reservas encarecendo as próprias.
Enxurrada
Causa espanto a farra de crédito externo do Brasil nesta decolagem do segundo ano do Lula lá.
O governo emite títulos de 30 anos em oferta total de US$ 1,5 bilhão e o mercado lá fora entra em fila brandindo demanda de até US$ 8 bilhões. Cadê o Soro?
A Vale acaba de fazer chamada para US$ 500 milhões e topou com interessados para US$ 1,6 bilhão. A empresa pensa em repetir a dose, enquanto o governo não descarta emissão oportunista de mais US$ 3 bilhões.
Quem diria?
Sinais vitais
Vai daí que o dólar leva trejeito de contentar-se com menos de US$ 2,90 para uma previsão (ou torcida) de alguma coisa entre R$ 3,00 e R$ 3,10 neste primeiro trimestre.
O risco-país, ferramenta de chantagem emocional contra 177 milhões de brasileiros, resvala para a faixa de 400 pontos ou menos, já no retrovisor lateral da média dos emergentes, da ordem de 375 pontos na semana passada.
O C-Bond, do alto de seus US$ 6,5 bilhões em poder do mercado, acaba de integralizar o valor de face. Chegou a amargar deságio de 52% em outubro de 2002, risco-país então no Everest de 2.442 pontos.
A façanha do C-Bond é tanto maior quando é sabido que se trata de toda uma linhagem de títulos estigmatizados pela renegociação da dívida, em 1994, segundo os escapes do então Plano Brady.
Na surdina
Nas marolas do C-Bond navega de vento em popa também o bônus global brasileiro de 40 anos, o BR-40, tão desprezado pelos analistas, mas não pelos rentistas. O estoque no mercado é de US$ 5,2 bilhões. Nada desprezível.
Pois o BR-40 já virara o ano cotado a 109% do valor de face. Sexta-feira última, fechou em 119,3%. Não foi notícia.





