JOELMIR BETING
Se Lula e o partido chegarem ao poder, o Brasil dará calote já no primeiro ano.
George Soros, mega-investidor (agosto 2002)
Em alta médica
A virada espetacular dos indicadores financeiros do Brasil no primeiro ano do governo Lula guarda exata relação com a draculiana manipulação desses mesmos indicadores no terceiro trimestre do ano anterior, reta de chegada às urnas do Lula lá.
Em outubro de 2002, o risco-país transitava acima de 2.400 pontos. No fechamento de 2003, primeiro ano da batuta petista, a taxa da neura alheia já estava em 470 pontos. Nesta primeira semana útil de 2004, contenta-se com menos de 430. O menor nível desde a segunda semana de outubro de 1997, véspera da pancadaria asiática.
Falta pouco
Só falta, a qualquer momento, o ''up grade'' do Brasil na caneta das ranzinzas agências classificadoras de riscos alheios.
Afinal, na faixa de 430 pontos, estamos nas fímbrias do risco-médio global dos países emergentes - oscilando em torno de 400.
No primeiro ano da estóica ortodoxia macroeconômica do governo Lula, o distanciamento do risco Brasil em relação ao risco médio dos emergentes encolheu de 9 para 1.
Já foi mico
E o que dizer do nosso ressuscitado C-Bond, título brasileiro de boa liquidez no mercado fiduciário das dívidas externas das nações soberanas?
No fundo do poço da sinistrose do outubro negro de 2002, a cotação do nosso C-Bond batia com os fundilhos em 0,50% do respectivo valor de face. Um deságio histérico.
Nesta segunda-feira, primeiro dia do mercado a carga plena no ano, a cotação bateu com a cabeça no Olimpo de 100% do valor de face, fechando a 0,9919%. Um recorde histórico.
Para o filantropo George Soros pensar na cama e na fama.
Trégua cambial
Com reservas líquidas estimadas em apenas US$ 17,4 bilhões, o Banco Central emite sinais de que não vai ''intervir'' no mercado cambial para recolocar o dólar acima de R$ 3,00.
Em torno de R$ 2,90, o dólar desvalorizou-se 18% de janeiro a dezembro de 2003. Mas na mediana ponderada do ano, o que realmente conta, ficou apenas 5% abaixo da mediana de 2002.
Tanto assim, que: 1) as exportações cresceram 21% nos últimos 12 meses; 2) bancos e consultorias financeiras projetam para 2004 um dólar mediano de R$ 3,15. Com revalorização real de, no máximo, 3%.
Duas notícias
No câmbio, pois, duas notícias. Primeira: o dólar não sobe mais. Segunda: o dólar não baixa mais.
Significa dizer que o câmbio, carniceiro de 2002, remorso de 2003, tornou-se neutro para a formação de custos, preços e juros da economia real na travessia de 2004. A tal ponto, que já se fala em queda da Selic na primeira reunião do Copom 2004, marcada para 20/21 do mês. Ela baixaria a crista de 16,50% para 16%.
Ou até mesmo para 15,50%. Do Natal ao carnaval é tempo de vacas magras nos balcões da demanda popular. Exceção do sorvete, da cerveja e do sabonete.





