JOELMIR BETING
''O otimista acha este o melhor dos mundos. O pessimista tem absoluta certeza disso.''
Karl Kraus (1874-1936), escritor austríaco
Ibovespa 20.000
Com valorização em 12 meses de 87% em reais e de 178% em dólares, o Ibovespa acaba de bater no travessão de 20.000 pontos e exibe bíceps para fechar o ano pelo teto de 21.000. Ainda assim, continuaria sendo a bolsa mais barata entre os 10 maiores mercados do planeta dos emergentes.
E o que dizer do valor de mercado, em dólar da vez, das 53 empresas que integram o Ibovespa? Elas totalizavam US$ 205 bilhões no pico de dezembro de 2000. Em setembro último, valiam em bloco US$ 168 bilhões, com perda de 18%. Nesta amarração de novembro, talvez a coisa esteja aí pelos US$ 195 bilhões.
Caberia investigar, para cada empresa ou para cada setor, a distância que ainda separa o valor de mercado em bolsa do valor patrimonial verdadeiro da empresa ou do setor. Consta que o valor de mercado estaria, ainda hoje, pela média de 15% a 30% abaixo do valor patrimonial. Tradução: a bolsa ainda está barata.
O valor de mercado no perímetro do Ibovespa passou por relevantes alterações na composição do bolo neste triênio 2001/2003. A família chipada das teles alavancadas pelas privatizações chegou ao pico de 2000 valendo US$ 46,5 bilhões. E agora, pós-ressaca do setor aqui dentro e lá fora? Em outubro, segundo a consultoria Economática, valia US$ 25,7 bilhões. Tombo de 45%.
As elétricas, com direito a apagão mental em 2001 e regulação ainda gasosa em 2003, adernaram em bloco de US$ 27 bilhões para US$ 14,3 bilhões. Mergulho de 47%. Com virada do jogo já nesta vigília da edição do novo modelo elétrico.
O setor de petróleo e gás, nadando em novos achados e em lucros chapados, Petrobrás no azul-marinho do parâmetro global, também não teve como segurar o valor de mercado no período considerado. Baixou a crista de US$ 32 bilhões para US$ 26,3 bilhões. Época houve em que Petrobras, Telebrás e Eletrobrás monopolistas chegaram a responder por até 90% dos negócios diários nas bolsas do Rio (lembram-se?) e de São Paulo.
E os bancos, cada vez mais sólidos e líquidos? São os novos líderes em bloco do valor de mercado, com recuo mínimo no ponta a ponta: de US$ 30,9 bilhões, em dezembro de 2000, para US$ 28,4 bilhões em outubro de 2003. Com fundo do poço em outubro de 2002: US$ 10,7 bilhões.
O que houve? Ano passado, o setor bancário foi duramente abalroado pelo ''risco político'' de um calote a futuro. Calote na dívida pública de um governo petista... Ou como se diz em Minas: quem confere ferro com ferro será ferido.
Pois em 11 meses corridos de Lula lá, o risco país, vulgo Embi+ do JP Morgan, mitigou a neura de quase 2.500 pontos para menos de 550. Com o C-Bond, parceiro preferencial de um calote de dentro para fora, cravando seu maior valor de face em todos os tempos - acima de 0,96. Ou como se diz em Coimbra: entre mortos e feridos, escapamos todos.
SECOS & MOLHADOS
Quem subiu? - Na redivisão do valor de mercado dentro do Ibovespa, palmas para a infantaria da exportação: celulose, siderurgia e mineração. Neste triênio 2001/2003, o trio ganhou triplamente: no câmbio, no preço e no volume embarcado. E desfilam musculação para manter e ampliar antigos e novos mercados lá fora.
Escalada - No período, o valor de mercado da mineração escalou de US$ 11 bilhões para US$ 17 bilhões. O da celulose espichou de US$ 4,8 bilhões para US$ 8 bilhões. E o da siderurgia estufou o peito de aço de US$ 8 bilhões para US$ 12,8 bilhões.
Referência - Lá fora, o valor de mercado, mais que a liquidez, é a principal ''decisão de carteira'' dos investidores institucionais. Entre nós, o Ibovespa reflete a liquidez. O valor de mercado transita pelo Índice Brasil 50, vulgo IBrX 50. Consta que 54% dos nossos fundos de pensão já colocam o IBrX 50 no lugar do Ibovespa. Faz sentido.
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