A indústria paulista fecha o ano produzindo 3,8% mais e empregando 8,5% menos. Em maior ou menor grau, essa é a situação do parque industrial brasileiro neste quinto ano consecutivo de modernização das fábricas e respectivos fornecedores. A modernização das empresas é uma notícia boa e uma notícia má.
A má notícia: alastra-se o desemprego estrutural ou tecnológico, com migração do trabalho do setor industrial para o setor de serviços em geral. Ou do trabalho formal para o trabalho autônomo ou informal. O primeiro contenta-se com 46% da População Econômicamente Ativa, integrada neste fim de ano por 76 milhões de brasileiros.
A boa notícia: a modernização das empresas em geral possibilita a oferta de produtos e serviços melhores a custos e preços menores. Os ganhadores: a população consumidora. E os próprios trabalhadores: a grande maioria que permanece a bordo das empresas que se modernizam, realizando um trabalho melhor por um salário maior. Nos cálculos da Fiesp, o salário médio da indústria paulista cresceu, este ano, até outubro, 5,8%. Para o Brasil todo, a indústria está pagando 4,8% mais, garante o IBGE.
Para 1997, o mercado de trabalho não deve virar o disco. A modernização das empresas, de todos os setores, ainda está longe de tirar o pé do acelerador. A precarização do trabalho informal vai continuar. E o enobrecimento do trabalho formal, também. Haverá novo ganho do salário médio, em termos reais: a) pelo enxugamento das empresas; b) pelo declínio ainda maior da inflação; c) pela reposição gradual de perdas ainda acumuladas de aproximadamente 27% em relação ao salário real médio de 1987.
Estudiosos da economia do trabalho estimam que o emprego geral só voltará a crescer quando o PIB brasileiro reengatar a marcha de 7% ao ano, média histórica de 1950 a 1980. Pelo cheiro da brilhantina, a economia brasileira deve crescer entre 5% e 6% no ano-novo. Quem sabe, acima de 7% em 1998, ano da reeleição.Um quarto
- O setor industrial chegou a empregar 38% na força total de trabalho nos anos 70. Agora, na segunda metade dos anos 90, a participação no emprego total mal passa de 25%. Ou precisamente 25,6% em outubro, segundo o IBGE. Incluída a construção.
Dois terços
- A fatia dos serviços em geral, incluídos os bancos e o comércio, subiu para 67,3%. Declina, nesse subtotal, a participação do setor financeiro. Que deve cortar um terço do pessoal remanescente nos próximos 24 meses. O bancário virou chip.
Quem ganha
- O salário real médio vai bem, obrigado. O mesmo IBGE informa que o rendimento médio do total das pessoas ocupadas cresceu 27,2% desde a estréia do Real, em junho de 1994. Há condições para uma recuperação adicional nos próximos dois anos.
Espertos
- A recuperação maior dos rendimentos deu-se, até aqui, na faixa dos que trabalham por conta própria. No Real, ganho real de 44,1%. Os que trabalham para terceiros, sem carteira assinada, recuperaram 33,4%. A turma da carteira formal, ganho de 20,1%.

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