JOELMIR BETING
''Adoro o computador e não posso mais viver sem ele. Eu fico horas a fio vendo alguém teclando um deles.''
Woody Allen, cineasta americano
A rede é elástica
Descontada a porosidade estatística do ramo, a internet brasileira está plugada hoje por 14,7 milhões de internautas em domicílio. Na soma com os acessos nas empresas, nos governos, nas escolas, nos serviços, nos hospitais, a coisa já passa de 26 milhões. Dos quais, perto de 1 milhão a bordo da banda larga de acesso rápido por sobre a grande maioria dos usuários do acesso discado. Ou moroso.
A inclusão na banda larga, ainda que na idade da web lascada, ensaia dobrar de tamanho até maio do ano que vem. É o que projeta a radiografia atualizada da internet verde-amarela, divulgada segunda-feira pela Anatel. Com dados consolidados de julho último, o relatório entrecruza indicadores de uma retemperada geral da rede virtual nas empresas e nas famílias. Tal como ocorre lá fora, o trauma do estouro da bolha digital é página virada.
De resto, estouro com aviso prévio, finalmente absorvido como uma solução e não uma tragédia. Exceção, claro, dos negócios falidos (mais de US$ 120 bilhões nos 30 países da OCDE) e das perdas de até US$ 6,8 trilhões em valor de mercado acionário na cadeia pontocom/midiacom/datacom/telecom.
De março de 2000, estouro da megabolha made in Wall Street, a setembro de 2003, deu-se o ajuste darwiniano do e-mercado movido a TI/TC. Nesta altura do calendário da convalescença geral, as empresas ainda não sabem como se faz a coisa certa. Mas cresce a cada dia o número de profissionais dentro delas que já sabem como se faz a coisa errada. É o melhor recomeço.
Fiquemos no balanço da Anatel. O gargalo maior para a aceleração da internet entre nós não está na tecnologia disponível nem na cultura corporativa. O brasileiro é vidrado em inovação pela inovação. O complicador não está nem mesmo na infra-estrutura da telecomunicação privatizada (do alto de investimentos de R$ 115 bilhões em sete anos, a preços de 2002). O mata-burro chipado da rede está no poder aquisitivo do mercado interno.
Nossos produtos de rede estão de 20% a 30% acima dos preços internacionais. Efeito câmbio à parte. Nas famílias, a limitação maior transpira nos acenos de posse de um micro ou de um laptop. Nossa renda familiar média não passa de um décimo da renda familiar média dos 30 países da OCDE. A própria nacionalização de máquinas e de programas paga pesados tributos, não apenas à glutonaria fiscal, também aos custos unitários da economia de escala insuficiente.
Pincelado pela Anatel, o perfil do internauta brasileiro 2003 captura pistas e dicas interessantes. Por exemplo: a duração média do acesso é de 38 minutos. Simplesmente, a mais prolongada do mundo. A dos japoneses, em segundo, é de 33 minutos.
Secos & Molhados
Plugados
Em média, internautas brasileiros de todas as idades e de todas as classes acessam a web 16 vezes por mês. Contra 13 na Espanha ou 14 na Alemanha. Eles navegam por 1,3 milhão de sites brasileiros e por um universo não sabido de sites estrangeiros.
Inclusão
As classes A&B respondem por 90,7% dos acessos à web. As classes C&D, três quartos da população, entram com 9,3%. Exclusão ou inclusão? Em janeiro do ano passado, o vasto rodapé da pirâmide social participava com a fatia de 4,7%. Para dezembro do ano que vem há quem aposte em até 14%.
Pelo clique
Compras pela web estão em alta no B2C. O tíquete médio aproxima-se de R$ 300 (classes A&B). No B2B, cadeias de suprimento online devem movimentar, este ano, perto de R$ 145 bilhões. Uau! No primeiro semestre, R$ 69 bilhões. O detalhe: o índice de satisfação do e-commerce, segundo a e-Bit, já é de 87% .
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