JOELMIR BETING
''Empresas de tecnologia ainda não sabem como se faz a coisa certa.Mas as sobreviventes da bolha já sabem como se faz a coisa errada.''
Juliano Bastide, sociólogo
Tudo se levanta no ar
Com a realização da Telexpo Wireless, hoje e amanhã, em São Paulo, vale refletir sobre o Telecosmo virtual que a gente deu agora de carregar na mão ou no bolso. Meu celular Motorola, acionado pela Claro, ao vivo e em cores, deixa-me fascinado e confuso. Afinal, que bicho chipado é esse? Telefone, computador, televisor, rádio, internet, tambor da selva, sino de igreja?
Pois é tudo isso de um clique só. O celular é a ponta do iceberg da multimídia/megamídia que desembarcou na vida da gente sem aviso prévio e sem pedir licença. Ele representa, em definitivo, o passaporte do Século da Informação para este Século da Comunicação. A inovação continuada percorre toda a cadeia de valor telecom/datacom/pontocom/midiacom e aposenta a expressão TI. Doravante, vamos de TC.
A verdade é que a revolução tecnológica se tornou a refinada técnica de criar e recriar necessidades desnecessárias - que se tornam absolutamente imprescindíveis no lançamento de cada uma delas. Nunca precisei do celular, do e-mail nem do Microsoft Word. Ocorre que perco o emprego se voltar a viver sem eles.
Sim, já não é mais a sociedade que faz a pergunta ou apresenta o problema, forçando a tecnologia a correr atrás da resposta ou da solução. Desde meados dos anos 80, aurora da Idade Digital, a tecnologia entra com a solução ou com a resposta antes que a sociedade lhe apresente o problema ou lhe faça a pergunta.
O consultor americano George Gilder teoriza sobre uma tirada filosófica do físico Arno Penzias nos idos dos anos 70. A rede virtual, ainda na Idade da Web Lascada, deu de desafiar os três fundamentos do Universo: o do tempo, o do espaço e o da massa. O do tempo, pela velocidade total. O do espaço, pela conectividade global (em tempo real). O da massa, pela intangibilidade da rede virtual.
Tanto mais porque a guru Esther Dyson escreveu outro dia na ''Wireless'': no futuro, o computador não mais será um objeto; será um espaço. Bem, teremos de deletar até lá nosso conceito de objeto e de espaço.
O importante é que o Brasil está surfando a onda da telefonia móvel na ponta dos chips. Agora em agosto, segundo a Anatel, a plataforma brasileira de celulares ativos, sétima maior do mundo, furou a barreira dos 40 milhões, abrindo vantagem de 1 milhão sobre o estoque de assinantes da telefonia fixa. Enquanto a fixa rumina encalhe de quase 10 milhões (por antecipação de metas contratuais), a móvel cresce 84% este ano sobre o salto de 23% em 2002.
Com crise ou sem crise, o celular leva jeito de cravar o recorde mensal de 2,5 milhões de novas unidades neste próximo Natal. Estimativa de um novo vendedor de celulares, o ex-ministro Pedro Malan, já empossado na presidência da rede Ponto Frio.
SECOS & MOLHADOS
Inclusão - O celular pré-pago já responde por quatro em cada cinco ativados. Ele é a britadeira da inclusão da baixa renda no universo wireless made in Brazil. Inclusão ajudada pela própria lógica da revolução TI/TC: a da realização de produtos e serviços cada vez melhores a custos e preços relativos cada vez menores.
Do desejo - O pré-pago é o novo objeto de desejo nas favelas da vida. No rodapé das classes C, D e E, ele já constitui item da cesta básica da família. Para o trabalho e para a segurança.
Novo choque - A competição montante entre as operadoras igualmente veste a camisa da inclusão. Tanto mais, com a adoção, logo mais, da chamada portabilidade numérica. O assinante continuará dono do próprio número quando migrando para outra operadora. E só existe uma trava para a migração: a dos agrados da fidelização.
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