''A fórmula do sucesso no emprego é muito simples: 30% de talento, 30% de esforço e 40% de caráter.

Thedore Lewitt, consultor americano

Muito trabalho, pouco produto
A lógica leonina da economia moderna está na realização de produtos e serviços cada vez melhores a custos e preços cada vez menores. Tudo a ver com a dilatação do mercado na vertical da economia e na horizontal da sociedade.

Ocorre que a soma das partes não consegue ser maior que o todo. O processo de modernização das empresas e de consolidação dos mercados segue o modelo schumpteriano da ''destruição criadora'', com o triunfo darwiniano do mais capaz na competição dos desiguais.

A primeira baixa da transformação econômica, antes da expulsão do competidor, é a exclusão do trabalhador. É cada vez menor a unidade de trabalho por produto realizado. Ou cada vez maior o produto realizado por unidade de trabalho. O ganho de produtividade do trabalho, quando patrocinado pela injeção de capital, pasteuriza o talento e descarta o esforço com fiadores do emprego. Tem-se como efeito líquido o chamado desemprego tecnológico.

Esse nariz de cera vem a propósito do relatório da Organização Mundial do Trabalho (OIT) sobre a evolução da produtividade do fator trabalho em 172 países na travessia dos anos 90 - a década da revolução tecnológica, da revolução mercadológica, da revolução corporativa, da revolução profissional.

O documento revela, por exemplo, que o brasileiro continua trabalhando muito e produzindo pouco - quando cotejado com os mesmos cargos e funções de trabalhadores dos países desenvolvidos (obviamente) e dos países emergentes (infelizmente). Num dos quadros de proa, o da produtividade média por hora trabalhada, temos que o brasileiro produz US$ 7,80 por hora contra US$ 34,10 do americano, US$ 35,20 do francês, US$ 37,40 do alemão ou US$ 38,20 do norueguês.

O detalhe: essa produtividade média do brasileiro (US$ 7,80 por hora trabalhada) mantém-se praticamente estável, em termos reais, há 20 anos. Algo mudou no período. Em 1980, baixa produtividade amasiada com desemprego de apenas 2,8%. Agora, espancada por desemprego de 12,8%.

No ranking global da produtividade média por ano corrido, entra em cena também a disparidade do total de horas trabalhadas, que varia de país por país. O americano, sobre ser o quarto mais produtivo por hora trabalhada, é o que mais horas trabalha por ano no bloco da opulência capitalista. Mais que o japonês. O índice cruza carga semanal de trabalho com extensão de férias, feriados, licenças e absenteísmo.

Por ano, o americano trabalha 1.825 horas. Mais que o brasileiro, que totaliza 1.698 horas. Lá, com carga maior, o desemprego está abaixo de 6%. Cá por estas bandas, com carga menor, já bateu nos 13%. Enquanto isso, nossos 18.236 sindicatos forçam a barra pela redução da jornada de batente no projeto da reforma trabalhista. Redução da jornada sem redução do salário. Nada contra, suspira Alice, a do País das Maravilhas.


SECOS & MOLHADOS

Para cima
Em todo o mundo, a produtividade média do trabalho cresceu 1,2% ao ano na década passada. Nos Estados Unidos, 2,8%. Na América Latina, 0,7%. No Brasil, 0,2%. Em países onde o negociado vale mais que o legislado, os ganhos da produtividade refletem-se na elevação real do salário - sem inflação.

Para baixo
O marcapasso brasileiro é mascarado pelos ganhos expressivos de produtividade em ramos industriais diversos, de maior visibilidade ou ruído. Nossa média está rebaixada pelo retrocesso no setor de serviços (60,4% do PIB), onde se dá a precarização do trabalho informal.

No campo
Por ano, o trabalhador rural produz US$ 29,9 mil na França ou US$ 46,3 mil nos Estados Unidos. Ressalva: insumos modernos casados com subsídios obscenos. No Brasil, US$ 4,8 mil. Ressalva: o dobro dos anos 80. Consolo: na China, US$ 786; em Cuba, US$ 161.


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