''Existem mais pessoas, empresas e nações que capitulam que pessoas, empresas e nações que fracassam.''

Henry Ford (1863-1947), industrial americano

Decreto-Lei 08/2003

Decreto-Lei 08/2003 - Art. 1.º e último - Fica vedado ao Brasil, a partir da data desta publicação, contentar-se com crescimento econômico anual abaixo de 5% (cinco por cento). Parágrafo único - Revogam-se todas as disposições monetaristas em contrário. In Diário Oficial da União - Brasília, 28 de agosto de 2003.

Exposição de motivos: o Brasil não tem o direito de pensar pequeno. Ele dispõe de recursos naturais e humanos para voltar a crescer pela média histórica de 1970 a 1980 - taxa anual de 8,8%. Na pior das hipóteses, pela média histórica de todo o século passado (4,5%). A segunda maior do mundo, empatada com a Coréia do Sul e no retrovisor lateral de Taiwan (5,1%). Fonte: OCDE.

De 1981 para cá, a média brasileira encruou para 2,2%. Neste triênio 2001/2003, deve ficar em torno de 1%. O que levou o Brasil a despencar, em apenas duas décadas, da 2. para o 93. posição no ranking mundial. O detalhe: sustentamos o primeiro lugar no mundo de 1900 a 1973, com média anual de 4,9%. Antes do advento do ''milagre asiático'', incluído o planeta China.

Ensaio de economia comparada produzido pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) recapitula as causas da expansão brasileira no século 20 (a economia dobrou de tamanho a cada 16 anos), as causas do nosso cavalo-de-pau nos últimos 20 anos e as causas da escalada asiática neste mesmo período. É o que veremos aqui em uma próxima coluna.

Pois nesta quinta-feira, 28 de agosto de 2003, o Brasil volta a repensar o Brasil. A coisa começa pela ata do Copom, a do sinal verde (ou não) para uma ruptura da anorexia monetária que também já dura 20 anos. E, enquanto o Congresso tende a relutar mais um dia em quebrar ovos para a omelete sem sal das reformas, o governo Lula faz nova reunião ministerial para aparar as últimas arestas do Plano Plurianual de Investimentos (PPA) para 2004/2007.

Saberemos logo mais se haverá ou não algum espetáculo de crescimento aí pela proa de 2004. Que o ministro Luiz Furlan já enquadrou para ''crescimento sem foguetório'' e o ministro Tarso Genro pede-nos para não confundir ''espetáculo de crescimento'' com ''crescimento espetacular''.

Igualmente atendendo a pedidos, aqui vai o almanaque dos três estágios do crescimento econômico: recessão, estagnação, expansão. Recessão é quando a produção de hoje é menor que a de ontem e a produção de amanhã menor que a de hoje. Estagnação é quando a produção de hoje repete a de ontem e a produção de amanhã iguala a de hoje. Expansão é quando a produção de hoje é maior que a de ontem e a produção de amanhã supera a de hoje. Desde que, no último caso, a taxa de expansão da produção seja maior que a taxa de crescimento da população. Se ficar no empate técnico, a coisa vira crescimento real igual a zero. É a sina de 2003.

SECOS & MOLHADOS

Ata ou desata? - Para o mercado financeiro, rabo que abana o cachorro, as entrelinhas da ata da última reunião do Copom (a que navalhou a Selic de 24,50% para 22%) darão a pista, nesta quinta-feira, do grau de distensão monetária da economia mais arrochada do mundo. A taxa básica chegará ao Natal abaixo de 19%? Há quem aposte em 17%.

Do carrapato? - Na ata de hoje saberemos se a mira do Copom deslocou-se do IPCA (no declive) para o PIB (no declive). Como toda overdose, o arrocho monetário converteu o remédio duro em veneno puro. Ou como diria o caipira José Maria de Jesus: ''Não é preciso matar a vaca para acabar com o carrapato.''

Banho-maria - Tudo leva a crer que o Brasil ainda não vai melhorar. Mas pode parar de piorar. A virada do jogo bruto depende da reinvenção do crédito bancário civilizado para produção e consumo e da recuperação consequente do emprego e da renda. Isso leva tempo.

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