''Vamos fechar todos os tribunais. Pretendemos que isso tenha repercussão internacional. É para afugentar os investimentos.

Doorgal Andrada, presidente da Associação dos Magistrados de Minas Gerais



Semeando ventanias

O piorômetro nacional está religado no interior do próprio governo Lula. Com sobras para o Congresso trapalhão e o Judiciário jurássico. Sim, Judiciário anacrônico, da variedade caixa-preta, na opinião do próprio presidente Lula.

O combustível do piorômetro tem mil octanas de nafta política. Ele aciona a resistência corporativa indignada à reforma previdenciária que ousou afrontar abusos adquiridos no regime mui especial do setor público. Ele tempera a mudança meia-sola na partilha do poder fiscal entre União, Estados e municípios, fantasiada de reforma tributária. O piorômetro serve-se igualmente do novo vácuo regulatório e da recaída da insegurança jurídica dos contratos no terreno minado da infra-estrutura econômica, com sobras para os negócios em geral.

Era sabido que um governo PT faria a ruptura do programa de desestatização. Incluído o questionamento palaciano do perfil e da função das agências reguladoras no megamercado dos serviços públicos sob concessão. Pior: sem ter escrito até hoje o modelo alternativo para tudo isso.

Faltaria cobrar da Granja do Torto, no churrasco do sábado, que galinha teria o governo para botar os ovos de ouro do financiamento de um canteiro de obras da ordem de R$ 54 bilhões por ano até 2010. Canteiro de obras já paralisado na energia, no saneamento e nos transportes. Com forte desaceleração nas telecomunicações, na habitação, na saúde, na educação, na segurança, no emprego, na renda, na esperança.

Arrocho monetário em overdose e garrote tributário idem também têm a ver com as canetas de Brasília e não com as escolhas do Brasil. Até na inflação, o índice dos preços livres de mercado situa-se um terço abaixo dos índices dos preços administrados pelo governo. E com o Banco Central controlando a febre com bloquetes de gelo, sem ter como atacar e remover as causas da infecção.

O piorômetro verde-amarelo igualmente se deixa embrutecer de fora para dentro do governo - pelo oportunismo dos aliados históricos do partido ungido a governo. Assiste-se à rebrota de uma esquerda albanesa liderada por comunistas desenganados travestidos de salvacionistas indignados. No campo e na cidade. A massa de manobra é a de sempre: ativistas ideológicos de carreira pegam carona no monitoramento de movimentos sociais legítimos. Ativistas para os quais, diria o Barão de Itararé, ''as soluções acabam com os problemas, mas os problemas rendem bem mais que as soluções''.

Que interesse teria o governo Lula de tratar com panos quentes o atual surto de desestabilização política que fragiliza o próprio governo e amedronta a sociedade? Seria o de inviabilizar a reeleição em 2006? Ou de dar razão a Regina Duarte aqui mesmo em 2003?


S E C O S & M O L H A D O S

Nada contra

Movimentos sociais organizados, no justo perímetro do Estado de Direito, fazem a seiva da civilização na gestação de uma sociedade politicamente aberta, economicamente forte e socialmente justa. De padrão escandinavo.

Sem trégua

O problema está no piorômetro de carteirinha. Seria um desastre para o MST se o governo Lula realizasse uma reforma agrária moderna. Bem, o MST passaria a exigir o assentamento imediato de metade da população brasileira. Na linha da reforma agrária do livrinho vermelho de Mao - por sobre 11 milhões de cadáveres em quatro anos.

Na palavra

De João Pedro Stédile, economista que pilota o MST, em discurso gravado pela mídia: ''A luta camponesa abriga hoje 23 milhões de pessoas. Do outro lado, há 27 mil fazendeiros. Será que mil perdem para um? O que falta é nos unirmos, para cada mil pegar um. Não vamos dormir até acabarmos com eles.''

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