''Nosso subdesenvolvimento não é uma fatalidade. É uma enfermidade. Que, aliás, tem cura.''
Darcy Ribeiro (1922-1987), antropólogo


De altos e baixos

Do tamanho de US$ 113 bilhões, em 2002, a dólar médio de R$ 2,94, a economia paulista desfila crachá de 13 potência regional do mundo em matéria de competitividade. Ela deixa na poeira a Coréia do Sul (15 ) e até mesmo a Itália (17 ), titular do G-8.

O novo e polêmico levantamento global é do International Management Development Institute (IMD), da Suíça. Inaugurado em abril, com dados consolidados de 2002, o novo ranking ignora os perímetros nacionais da geopolítica universal e passa a classificar 30 países e/ou regiões com mais de 20 milhões de habitantes. Um ranking lateral cuida da classificação de países e/ou regiões com menos de 20 milhões de habitantes.

A metodologia de avaliação do coeficiente de competitividade de cada país ou região manteve o formato e o conteúdo da série anual iniciada em 1981. Ela pondera critérios econômicos, científicos, tecnológicos, financeiros, cambiais, tributários, corporativos, regulatórios, sociais, políticos e ambientais.

A eleição de economias regionais acima de 20 milhões de habitantes parte da idéia de que não se pode comparar a competitividade de uma China ou de uma Índia com a de uma Cingapura ou a de uma Noruega. Nem a de um Japão com um Uruguai. Ou a da Finlândia com a dos Estados Unidos.

Ao optar pela avaliação de regiões econômicas integradas (na riqueza ou na pobreza), o IMD cuida de escapar das abstrações geopolíticas e geoeconômicas que distorcem os comparativos de Estados nacionais. Caso do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU. Ou do ranking paralelo de competitividade produzido pelo Fórum Econômico Mundial, de Davos.

No novo ranking do IMD, onde a economia paulista desponta em 13º lugar, o Brasil como um todo aparece na 21 colocação, na rabeira da Índia, da África do Sul ou da província chinesa de Zhejiang (em 14). Pior: nas marolas também da Colômbia (16). O México está em 24º lugar e a Argentina, em 29º.

Os cinco mais competitivos (acima de 20 milhões de habitantes) são, pela ordem, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Malásia e Alemanha. Sim, a Malásia, à frente não apenas da Alemanha, também da Grã-Bretanha, da França, da Espanha ou do Japão. No ranking paralelo de países e/ou regiões com menos de 20 milhões de habitantes, o pódio é da Finlândia, Cingapura, Dinamarca, Hong Kong e Suíça.

O Brasil figura em penúltimo e último lugar nos quesitos sistema tributário e custo de capital ou de crédito. Bem-feito! Nessa lanterna, juros asininos e impostos draculianos estão na merecida companhia da desigualdade social e da violência urbana.



Secos & Molhados

Outra pista

O ranking de competitividade de Davos, que não faz distinção de Rússia com Islândia nem de Granada com Indonésia, situa o Brasil em 46.º lugar, abaixo da Tunísia ou da Estônia. Mas à frente do México (55.º) ou da Rússia (58.º).

Lado bom

Em cotejos globais do gênero, o Brasil ganha pontos em quesitos tipo ambiente propício de negócios, empreendedorismo coletivo, propensão a inovações, potenciais de mercado, recursos naturais intocados, evolução recente da produtividade agrícola, unicidade cultural e estabilidade política.

Lado ruim

O Brasil perde pontos em deficiência de serviços públicos, em promoção humana para o trabalho e para a vida, em reconcentração da renda nacional, em carga fiscal sem retorno social, em crédito bancário proibitivo, em segurança pública quase zerada, em insegurança jurídica dos contratos de qualquer natureza... Chega!

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