''Os computadores não servem para nada. Eles só sabem mesmo é dar respostas.'' Pablo Picasso (1891-1973), pintor espanhol


Vacina WEB/B2C

Metrópole high tech, a poderosa Hong Kong acaba de lançar a primeira e única vacina eficaz contra a epidemia da Sars de baixo. A classe média digitalizada, cerca de dois terços da população mais rica da China, deu de fazer todas as compras cotidianas pela internet, vulgo Web. Ou pelo e-commerce das lojas virtuais, vulgo business to consumer ou simplesmente B2C.

A pérola do capitalismo no rodapé do planeta do comunismo tem o maior número de shoppings centers do mundo em um mesmo perímetro urbano. Nada menos de 128, dos quais, duas dezenas com mais de 300 lojas cada um. Referência: a rede brasileira total mal passa de 400.

Além da clientela doméstica, Hong Kong hospeda perto de 35 milhões de turistas/compristas por ano. Só perde para Nova York, com 42 milhões de visitantes. As lojas têm de tudo para todos e a preços de embasbacar camelódromos brasileiros abastecidos pelas fábricas virtuais da pirataria, do contrabando, da sonegação, do desmanche e do roubo de cargas.

Trocar o passeio compulsivo no shopping pelo clique do micro, de laptop ou do celular multimídia não deixa de ser, para os moradores de Hong Kong, um exercício de privação ou renúncia. Um consumismo despido de valores emocionais agregados.

Como a Sars ainda é um perigo oculto à Bin Laden, o negócio é fazer a alegria do e-commerce dentro e fora de Hong Kong. A Nielsen Net/Ratings adianta que as compras online na cidade ou a partir dela cresceram 125% nos últimos 90 dias. Em especial, pelos websites da Yahoo, Ebay, Amazon e Yesasia. Que sobreviveram ao estouro da bolha pontocom e agora caminham com os pés no chão e os chips na Lua.

Antes, apenas 18% dos internautas locais faziam pelo menos uma compra por mês em loja virtual. Em abril, 41%. Referência: nos Estados Unidos, o B2C já mobiliza, em pelo menos uma aquisição mensal, seja de um carro ou de uma pizza, nada menos de 62% dos seus 127 milhões de internautas.

Lojas virtuais de hipermercados de Hong Kong batem recordes diários nas vendas de produtos de limpeza doméstica. A ordem é desinfetar até calçadas e quintais, além de elevadores e garagens.

Na outra face, tombos de até 90% na demanda online de passagens aéreas e de reservas para teatros e cinemas. E hotéis.

Único problema: quarta-feira, um e-vírus já chamado de e-Sars deu pau em diversos sistemas do B2C de Hong Kong. Pode?

Secos & Molhados

Apalpando

O comércio eletrônico ainda é mais promessa virtual do que conquista real. Nos Estados Unidos, maior infoeconomia do planeta, o B2C (varejo) e o B2B (atacado) movimentaram US$ 8,1 bilhões em 2002. Ou menos de 0,1% do PIB de US$ 10,4 trilhões.

Banda larga

Lembram-se da ''superestrada da informação'', metáfora de nascença da internet? Cheia de buracos, ela ainda aguarda a pavimentação definitiva: a da banda futura com espectro de largura (quase) infinita. Até aqui, a potência da máquina é o fator abundante. A largura da rede, o fator escasso.

Cobertura

Até 2010, uma Web cada vez mais capaz, mais veloz, mais segura, mais barata. Com um agregado institucional importante: a blindagem jurídica da vasta documentação digital ainda pedindo passagem. Aí, o e-commerce decola de vez.

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