Joelmir Beting
Os chamados mercados maduros, de simples reposição, devem continuar andando de lado. Os mercados emergentes, ainda com baixos índices de motorização, passam a responder pela expansão da demanda (e da produção) global. E com direito a crescente fatia nos mercados desenvolvidos. Por transferência de contratos das matrizes para as subsidiárias. No Brasil, por exemplo, a Mercedes-Benz já avisou que vai exportar 50% da produção no ano 2000. Já exporta 25% - incluídos mercados tipo China, Malásia, África do Sul ou Austrália.
Excesso de capacidade instalada no mundo. Excesso de capacidade instalada também no Brasil? Estudiosos do assunto acham que os US$ 22 bilhões já comprometidos pelas montadoras (as já instaladas e as em implantação) vão ampliar a oferta brasileira para 3,4 milhões de unidades no ano 2000. Haverá mercado interno desse calibre naquele mesmo ano, que já está logo ali? As transnacionais devem estar apostando em exportação de, no mínimo, um terço da capacidade em ampliação.
Em Detroit, a General Motors reprisa o recado da Mercedes-Benz: metade da produção global já está planejada para fora dos Estados Unidos. De preferência, para os emergentes. Estudo do Boston Consulting Group dá uma pista: a lucratividade das montadoras já modernizadas não tem passado, em média, de 8% nos Estados Unidos, de 4% na União Européia ou do 3% no Japão. Nos emergentes, o retorno das mesmas empresas trafega acima de 11%.
Até passado recente, o Terceiro Mundo era um terminal de fábricas obsoletas, com tecnologias esclerosadas. Doravante, fábricas nos emergentes serão mais modernas, mais enxutas e mais rentáveis que nos países de origem das montadoras. Com produtos de qualidade equivalente. Até porque, exportados para terceiros mercados, além do próprio Primeiro Mundo. Globalismo sobre rodas.SECOS & MOLHADOS
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