JOELMIR BETING
''Nova pesquisa eleitoral: Duda, 65%; Nizan, 35%.''
Fonte: Big Brother 4 do TSE
Lula Cuba ou Lula Duda?
Por enquanto, vai dando Lula Duda. Com larga margem de favoritismo estatístico. Ou no dizer do próprio Lula Tony Blair da Silva: ''O único risco do nosso favoritismo só poderia ser algum cataclismo.''
Marqueteiro experiente, Duda Mendonça teve de escandalizar o partido para fazer de Lula televisivo um ''chefe manso''. Na embalagem e na mensagem. Marqueteiro principiante, Nizan Guanaes optou por fazer de Serra televisivo um ''patrão bravo''. De dedo em riste e cara amarrada.
Ocorre que televisão no Brasil é empatia em estado puro. Empatia não é o que o povo sabe; é o que o povo sente. E a metade debaixo da população, a ninguenzada do porão, não tem informação, não tem escolaridade, não tem apetência política. Ela age e reage por empatia se negativa ou se positiva. E a empatia é atributo pessoal e intransferível de cada candidato, por cima e ao largo da biografia, do discurso, do programa e do partido.
Tanto mais no Brasil. Aqui, a televisão é fenômeno sem paralelo no mundo. Primeiro: a inclusão social nessa megamídia já está em 97% da população. Caso único em países ainda não desenvolvidos. Segundo: o conteúdo de produção nacional na grade de programação das emissoras brasileiras passa de 80%. Um recorde mundial, se descartadas as estatais monopolistas dos regimes fechados da China, Cuba, Iraque e Coréia do Norte.
Terceiro: pelo grau de inclusão e pelo perfil do conteúdo, a televisão brasileira modula e pondera sua oferta pelo interesse da metade debaixo da população sem entrar no mérito estético e dialético da programação oferecida. Resultado: o povo adora a televisão aberta e gratuita.
Tanto assim que a TV por assinatura, com dezenas de canais nacionais e estrangeiros no cardápio, continua com penetração abaixo de 10% dos domicílios. Lá fora, com TV ''chata'', começando aqui pela América Latina, a TV paga vai de 50% a 80% da base instalada.
Quarto: com tamanha inclusão, tamanho conteúdo e tamanha empatia, é do Brasil a única televisão do mundo com horário eleitoral gratuito obrigatório. E não para um debate de reta de chegada. São 42 tardes e 42 noites de horário nobre no primeiro turno e mais 11 no segundo. Um verdadeiro Big Brother do TSE para um eleitorado, na maioria, de baixo discernimento político - diferentemente de uma Argentina, um Uruguai, um Chile, uma Coréia ou toda a confraria dos países ricos.
Daí o fastígio da marqueteria eleitoral verde-amarela, igualmente sem similar no mundo. Escorada em publicitários vencedores, a alma do negócio é justamente a da produção de empatias positivas. Técnica refinada que substitui a informação e o esclarecimento pela persuasão e o convencimento. Do que resulta o que estamos vendo agora em reprise: a propaganda eleitoral de um presidente em nada difere da publicidade comercial de uma pasta de dente.
Secos & Molhados
Chefe manso
Duda Mendonça investiu na empatia de um Lula Light na embalagem e na mensagem. Tarefa melindrosa. Significava, para espanto do partido mais patrulhado da floresta, não mais em fazer a imagem, mas em desfazer a imagem de Lula. Uma aposta de alto risco bancada pela cúpula petista. O risco de ''pegar mal'' e o risco de um ou mais oponentes seguirem a mesma linha.
Patrão bravo
Nizan Guanaes preferiu fazer de Serra um guerreiro, um polemista, um enfezado, com atiradeira voltando-se para qualquer lado. O problema é que o povão movido a empatia não mais suporta gente brava. Eles vivem chargeados por gente brava no trabalho, no ônibus, na favela e na vida. Lula Cuba não ganhou uma. Lula Duda cuidou de fugir dessa.
Produtividade
Levantamento da Época desfila números falando mais que palavras. Quantos votos por minuto de exposição no horário gratuito obteve cada candidato no primeiro turno? Pela ordem: 1) Lula, 380 mil; 2) Garotinho, 356 mil; 3) Ciro, 122 mil; 4) Serra, 96 mil.
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