''Para cada real aplicado, é novo emprego gerado.''

Luiz Inácio Lula da Silva, presidenciável (PT)



Tudo pelo emprego

Marqueteiros e assessores de Luiz Inácio Lula da Silva fizeram o candidato do PT à Presidência da República, em peças de propaganda eleitoral, produzidas para intervalo comercial, prometer, entre dois sorrisos, a multiplicação bíblica do pão, do peixe e do vinho. Lula não merece nem precisa disso.

Garantir que se vai criar um novo emprego para cada real investido (pelo setor público e pelo setor privado) é muita licença poética para quem tem de ganhar o eleitorado pela informação e pelo esclarecimento e não pela fantasia ou pela gozação.


Qualquer manobrista de estacionamento em terreno baldio sabe que a geração de um novo lugar de trabalho, ainda que informal ou sem registro em carteira, exige investimento de dezenas de milhares de reais pelo ente empregador. O que não falta é documentação acadêmica e empresarial sobre essa matéria.

Não se deve brincar com ela.

A relação capital/emprego exige investimentos, em média, de R$ 14 mil na economia rural conservadora, de R$ 27 mil na construção civil, de R$ 36 mil no caleidoscópio dos serviços, de R$ 76 mil no parque fabril como um todo e algo acima de R$ 250 mil em ramos industriais de vanguarda. Em montadora zero-quilômetro, a coisa não tem saído por menos R$ 850 mil.

O próprio programa do PT para 2003/2006 aproxima-se do alvo correto, com proposta para 2,5 milhões de novos empregos por ano - para uma força nacional de trabalho estimada, hoje, ao redor de 83 milhões. Certamente, o PT joga com expansão média do PIB de 7% ao ano no período, supondo-se a ocupação máxima da capacidade produtiva já instalada ou por instalar.

O fator limitante está justamente no potencial de investimento e/ou de poupança em relação ao PIB. A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) não tem passado de 20% do PIB. Torque suficiente para uma expansão da produção e do emprego da ordem de 3% ao ano, nos cálculos do professor Fábio Giambiagi, chefe do Departamento Econômico do IBGE.

Uma FBCF de 25%, sonho de uma noite de inverno, sustentaria um PIB de 5%. Para um PIB de 7%, se esgotada a capacidade já instalada (a utilização dela no setor industrial está abaixo de 80%), a FBCF teria de flutuar perto de 30%. Nem na China.

Cabe lembrar que o aparelho produtivo nacional, em mais de metade dele, está em processo de modernização. O que significa dizer que é cada vez maior (e melhor) a unidade de produto para cada unidade de trabalho. Ou se preferem: é cada vez menor a unidade de emprego para cada unidade de produção. Ou de PIB.

Tributo social e político doloroso que este e os próximos governos têm de pagar à recente ruptura de uma economia brasileira de baixa eficiência. Um modelo supostamente protegido e acomodado, gerador de empregos ruins com salários péssimos.

Secos & Molhados

Qual deles?

Lula não abre mão de 10 milhões de empregos em quatro anos e Serra contenta-se com 8 milhões. Nenhum dos candidatos se compromete em apartar nessa festança a porção dos formais e a porção dos informais. Nos anos 90, os informais ultrapassaram os formais em 57% versus 43%. Nas regiões metropolitanas, empate técnico.

Vespeiros

O problema é que os candidatos não se comprometem, em palanque, com a promoção da formalidade do trabalho. Isso exige reformas profundas (e impopulares) nas leis de direitos e de encargos trabalhistas. Sem contar o vespeiro lateral de um bisturi no sistema tributário cúmplice maior da informalidade econômica.

E a cegonha?

E o que dizer da atual pressão demográfica da cegonha dos anos 80? Na faixa etária do primeiro emprego, a expansão dela ainda é de 2,1% ao ano.

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