''O melhor lugar para fazer turismo é dentro da sobra de cada mês.'' José Maria Alkmin (1901-1974), político


Otimismo na bagagem


Revoada de 2.300 executivos, consultores e diplomatas estrangeiros desembarca no próximo fim de semana no Rio de Janeiro. Escoltados por 13 mil assessores. Na agenda, o Congresso Mundial do Petróleo. Ainda não deu para calcular o tamanho do batalhão de empresários, profissionais, consultores e acadêmicos brasileiros que devem participar do megaevento.

Negócios do petróleo à parte voltaremos nesta coluna ao focus e ao locus do encontro global do petróleo , o Rio de Janeiro espera faturar, em sete dias, metade do que normalmente fatura na semana de carnaval, atração universal.

Com vocação para o ramo, craque nos negócios movidos a turismo, o Rio investe na variante dos eventos corporativos, com retorno crescente. A ponto de causar ciumeira em São Paulo, craque do ramo do turismo movido a negócios. Mercado que cresceu 65% na capital paulista desde a estréia do Real.

Enquanto no Rio o turismo de paletó, gravata e leptop já responde por um terço dos visitantes nacionais e estrangeiros, em São Paulo o segmento entra com três quartos da recepção total. Ou 74% em 2001, segundo o São Paulo Convention & Visitors Bureau.

Entidade privada que decidiu coordenar ação em bloco de políticas públicas para dourar ainda mais a pílula do turismo de negócios na capital. Com sobras para o entorno metropolitano e para os núcleos de Campinas e Baixada Santista.

O turista por conta própria gasta, em média, US$ 125 por dia em São Paulo e US$ 138 no Rio. O turista a serviço da empresa ou do próprio negócio desembolsa US$ 290 por dia. São Paulo contabiliza no filão 9,4 milhões de visitantes por ano, sendo três em cada quatro do segundo grupo. Façam as contas.

Contas que, entre outras, estão sendo feitas, esta semana, no Recife, pelo Congresso da Associação Brasileira dos Agentes de Viagens (Abav). O diretor de Assuntos Internacionais da entidade, Leonel Rossi Junior, diz que estão criadas as condições concretas para triplicar a recepção do turismo internacional ainda nesta década. Algo parecido, em todo o País, com 15 milhões de visitantes estrangeiros até 2010. Com ou sem as corcovas do câmbio flutuante - que não vai perder a mania de flutuar.

Nesta quadra da bolha cambial de 2002, ocorre forte redução do turismo brasileiro para fora e alguma compensação do turismo estrangeiro para dentro. Como o Brasil em real ficou mais caro só 7,7% nos últimos 12 meses, os brasileiros deram de (re)descobrir o Brasil. O setor espera fechar o ano com expansão real de 3%.

Essa estimativa já leva em conta o sumiço do cliente maior a legião dos argentinos, emparedados pelo peso que se desmanchou no ar e pelo ''corralito'' de contrapeso. Sumiço inaugurado no ano passado. Até 1999, eles cobriam um terço da recepção brasileira total. Apenas um em cada oito rodou por aqui no carnaval.

Secos & Molhados

Escalada

O Fórum Brasileiro Convention & Visitors Bureaux, de mãos dadas com o Sebrae, pesquisou o segmento de negócios em todo o País e descobriu, para este ano, uma programação de 334 mil eventos. Estimativa de público acionado: 78 milhões. Com negócios diretos e indiretos de R$ 37 bilhões.

Natureza

No encontro da Abav, no Recife, avaliou-se que o lance mais promissor aí pela proa é o do turismo ecológico. Um potencial até aqui apenas beliscado pela rama, sob a patrulha do Ibama. Projetos elencados reservam 24% para a faixa litorânea e 76% para a vastidão interiorana.

Pilares

Discutiu-se igualmente no Recife que a indústria do turismo tem de fundamentar-se, doravante, obsessivamente, em três pilares: serviço, serviço e serviço. A paisagem e o folclore fazem a isca. Ou como diz Leonel Rossi: ''O cliente tornou-se informado, exigente, seletivo e infiel.''

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