Bola de cristal

Economistas, consultores e empresários estão derramando previsões juradas ‘‘realistas’’ para a travessia de 1997. Pela média ponderada de todas elas, temos que 1997 ficará melhor que 1996, assim como 1996 fecha melhor do que 1995.
Previsão de inflação. Uma unanimidade: a malvada está em declínio e deve permanecer no declive. Média dos palpites técnicos, com precisão no depois da vírgula: 7,1%. Claro, inflação medida pelo IGP. Onde desponta um IPA de 4,6%. Note-se que o IGP está fechando o ano abaixo de 9%. Primeira inflação gregoriana de um dígito desde a desgarrada da gastança juscelinista de Brasília.
Previsão do PIB: expansão de 4,1%. Neste indicador, a coisa está mais para a divergência do que para a convergência. Há previsões de até 7% colidindo com previsões de pouco acima de 2,5%. Ao contrário do final de 1995, ninguém se atreve a projetar um quadro recessivo para o ano novo. Também por aí, o pior já passou, suspiram as cartomantes recheadas de álgebra.
Previsão da taxa de câmbio. Média ponderada das análises e das torcidas do ramo: correção de 5,2% acima do IPA de 4,6%. Digamos: um dólar por R$ 1,10 lá na ponta de dezembro. Haverá pressão ainda maior do ‘‘lobby’’ exportador, agora que o equilíbrio da balança comercial adquire o ‘‘status’’ de pau-da-barraca do Real.
Previsão da balança comercial. Igualmente pela média, o déficit está projetado para US$ 6,2 bilhões. Assim escorado: importações de US$ 58,3 bilhões versus exportações de US$ 52,1 bilhões. Tradução: baixo dinamismo da variável comércio exterior, nas duas mãos. Ou como diz o economista Carlos Geraldo Langoni, da FGV: o que preocupa é menos o déficit da balança e mais a letargia do intercâmbio. Ainda não saímos da praia.
Previsão do desemprego. Média dos prognósticos: 4,9%, contra 5,2% neste último trimestre de 1996. Haverá certa excitação na economia de serviços, exceto o setor financeiro. O trabalho com carteira assinada deve manter a fatia já rebaixada de 46% da ocupação total.
Previsão do déficit público. Nada de dramático: média de 3,3% para as estimativas do déficit operacional. Este ano, 4%.
Atazanando

- ‘‘O déficit público ainda atazana o governo’’, disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, quinta-feira, na reunião ministerial. ‘‘É mais fácil baixar os preços e os juros do que enxugar os gastos e ajustar as contas do setor público’’, suspirou o presidente.
Mais embaixo
- Seguinte: o governo federal depende da redução do déficit em níveis de poder que lhe escapam do alcance e até mesmo, como se viu este ano, do controle remoto de Brasília: a caneta dos Estados e municípios. Os ajustados fazem a exceção e não a regra.
Come quieto
- E o déficit das estatais federais, estaduais e municipais? O realinhamento tarifário aliviou a barra este ano: reajuste médio de 23% dos preços públicos, contra um IGP abaixo de 9%. Reajuste tripulado pelo bloco dos combustíveis, de maior efeito na praça.
Quem é quem
- Para o déficit operacional de 4%, este ano, o governo federal contribui com 1,6% (contra superávit de 1,6% em 1994). Estados e municípios entram com a fatia do leão: 2,20% (ou 0,56% em 1994). As estatais contentam-se com 0,20% (superávit de 0,30% em 94).

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