JOELMIR BETING
Presidente da Associação Nacional das Empresas de Pesquisas (Anep), Eduardo Schubert responde a questionamentos desta coluna sobre a produção de pesquisas eleitorais e sobre o mau uso que se tem feito delas, aqui dentro e lá fora, por especuladores e patrulheiros do mercado financeiro. Assunto agora encarado, com toque pertinente, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Escreve Eduardo Schubert que a especulação financeira, sob certa medida, é virulenta e criminosa. Mas a manipulação de resultados de pesquisas eleitorais nada tem a ver com a qualidade delas. De resto, normas e padrões de qualidade enquadrados, segundo ele, pela legislação eleitoral e pelo Código de Ética da Anep.
Sobre a extensão da amostra de 2 mil entrevistados para um universo de 115,2 milhões de eleitores inscritos, Eduardo Schubert sustenta (nem poderia ser diferente) que essa cobertura é cientificamente calculada e balanceada, ''guardando relação com todos os segmentos do universo pesquisado, seu grau de homogeneidade e seu nível de desagregação analítica''.
Quanto ao perímetro físico da amostra, o presidente da Anep contesta estudo da PUC-RJ, publicado na edição de junho da revista Conjuntura Econômica, do Ibre/FGV, comentado nesta coluna. Ele esclarece que as pesquisas não estão concentradas nas regiões metropolitanas. Alcançam cidades médias e pequenas, incluída a zona rural.
Igualmente em carta à coluna, manifesta-se Márcia Cavallari Nunes, diretora-executiva do Ibope Opinião. Ela informa que o Ibope utiliza o modelo de amostragem por conglomerados em múltiplos estágios. No primeiro estágio, são selecionados os municípios pelo método PPT - Probabilidade Proporcional ao Tamanho. Sendo, em média, 40% das entrevistas nas áreas metropolitanas e 60% em municípios interioranos.
No segundo estágio, são sorteados, também pelo PPT, os setores censitários onde as entrevistas serão realizadas. E no terceiro, os entrevistados são selecionados por meio de cotas proporcionais segundo idade, sexo e renda.
Sobre o tamanho da amostra, Márcia Cavallari Nunes diz que tamanho não é documento: ''Mais importante é a qualidade da representatividade da amostragem. Ou seja, seu grau de similaridade com todos os grupos sociais e regiões do País em proporção mais próxima possível à da população pesquisada.''
E mais: ''Os institutos acertaram com precisão os resultados das eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998. Portanto, não há razão alguma para aumentarmos o tamanho das amostras. É bom lembrar, por último, que as pesquisas eleitorais fazem diagnóstico do presente e não prognóstico do futuro. Tanto mais quando a campanha eleitoral propriamente dita ainda nem começou.''
Secos & Molhados
- Universo - Para as eleições de outubro estão credenciados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exatamente 115.271.778 eleitores num total de 5.668 municípios. As capitais hospedam 27,9 milhões. O novo mapa foi divulgado terça-feira. Sobre o universo de 1998, crescimento de 8,6%. Adição de 9,2 milhões de votantes em apenas quatro anos. Mais que toda a população de Paraguai e Uruguai somados.
- Sete mais - Sete capitais têm hoje mais de 1 milhão de eleitores. Em números arredondados: 1) São Paulo, 7,5; 2) Rio de Janeiro, 4,3; 3) Belo Horizonte, 1,6; 4) Brasília, 1,5; 5) Salvador, 1,5; 6) Fortaleza, 1,3; 7) Curitiba, 1,1. Ultrapassada por Curitiba, Porto Alegre ficou apenas 7.611 abaixo do milhão.
- Extremos - Por Estados, São Paulo pontifica com colégio de 25,7 milhões (aumento de 10% sobre 1998). Roraima não passa de 170,6 mil. Fora do Brasil, podem votar 69,9 mil.
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