JOELMIR BETING
''O Brasil ainda tem tempo para deixar de ser, finalmente, a maior promessa não cumprida da economia mundial.'' Nicholas Brady, ex-secretário do Tesouro dos EUA
Cadê nossos inventos?
Na Copa do Mundo das patentes, o Brasil teria ficado de fora da confraria de 32 seleções classificadas. No ''ranking'' global (Pnud), o Brasil resfolega no 43º lugar. O que ajuda a explicar a modesta 35 posição que pastamos no ''ranking'' mundial (IMD) de competitividade.
Na bola murcha das invenções, estamos registrando, em média, apenas 110 patentes brasileiras por ano. A Coréia não se contenta com menos de 3.540. Os Estados Unidos? Mais de 90 mil por ano. Resultado: pagamos mais de US$ 3 bilhões por ano a patentes importadas. E outros US$ 6,3 bilhões a tecnologias enlatadas (FGV/Sobeet).
Eis o pano de fundo do I Enitec Encontro Nacional da Inovação Tecnológica para Exportação e Competitividade. Promovido pela Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), o encontro ocorre hoje e amanhã no Centro de Convenções da Firjan, no Rio de Janeiro. Agenda suculenta para empresários, acadêmicos e consultores.
Presidente da Protec e da Abimaq, Luiz Carlos Delben Leite queixa-se da falta de medidas concretas para a execução de políticas corretas de desenvolvimento tecnológico. Quer dizer: as políticas já existem, mas as medidas ainda não.
E não por falta de empenho do Ministério de Ciência e Tecnologia, conduzido por Ronaldo Sardenberg. O problema está na ausência de coordenação entre setor público e setor privado e na baixa sintonia dentro do primeiro e no interior do segundo.
Lembram-se da reserva do atraso na antiga Lei de Informática?
A nova lei decolou só agora em 2002 . Pois vem aí o Projeto de Lei da Inovação, disputando espaço e atenção com chorosas mudanças na legislação da propriedade intelectual. E o que dizer da discussão rosca sem-fim sobre adoção ou não de políticas industriais e/ou setoriais de peso?
Assuntos do gênero encorpam o temário desse I Enitec.
Para variar, o ''focus'' da competitividade entrega-se aos apelos da balança comercial de um Brasil que ainda exporta menos de um décimo do PIB. Mas não é por aí. A competitividade nacional tem de ser tratada, como fim em si mesma, pela necessidade biológica que temos de aplicar choques de eficiência na economia brasileira em geral e não apenas no ''front'' exportador.
A salvação da pátria está na realização de produtos e serviços cada vez melhores a custos e preços cada vez menores para consumo interno. O objetivo da empreitada é ganhar o mercado até aqui reprimido da cidadania verde-amarela. A exportação viria de carona.
Até porque, diriam os comunistas chineses, mais atualizados que os cepalistas latinos: mercado interno e mercado externo não são excludentes ou alternativos; eles são complementares ou aditivos.
SECOS & MOLHADOS
Equívocos
Consultores do ramo elegem outros desvios mentais no subdesenvolvimento tecnológico brasileiro: falta sinergia entre ciência e tecnologia e falta diálogo entre escola e empresa. Não raro, aposta-se em necessidades desnecessárias.
Ressalvas
Professor da UFRJ e diretor-geral da Protec, Roberto Nicolsky resume: a prioridade deve estar na inovação tecnológica e não na revolução científica. Ciência não pode ser refém da tecnologia. Esta, por sua vez, tem de buscar a inovação pelo melhor aproveitamento de conhecimentos já existentes.
Nanomóvel
Exemplo: dois pesquisadores ingleses acabam de registrar o primeiro celular molar. Yes, implantado no dente. Dá para conversar e ouvir música online. Mas ainda não dá para chamar. O receptor silencioso de baixa frequência foi testado pelo Media Lab Europe, braço transatlântico do M.I.T. Funcionou.
www.joelmirbeting.com.br
[email protected]





