''Quero dizer aos brasileiros que fiquem com a imagem vencedora desta seleção. É assim que a gente vai fazer crescer o Brasil.''

Luiz Felipe Scolari, técnico pentacampeão



Copabacana S.A.

Sempre(!) que o Brasil coloca as mãos no caneco dourado, os negócios da Copa faturam antes, durante e depois dela. Há ganhos diretos e visíveis que não são maiores que os ganhos indiretos ou oblíquos. Incluídos os ganhos econômicos da reversão transitória da nova sinistrose nacional bruta.

A face visível da Pentabrás está na Lua cheia das vendas de espaço e de tempo pela multimídia verde-amarela de orgulho. Em revoada cívica, anunciantes de sempre reforçam as verbas de publicidade comercial (de produtos e serviços) e de propaganda institucional (de marcas e de ''estados de espírito'').

Tem-se que a megafatura multimídia teria sido de R$ 630 milhões, no trimestre abril/maio/junho. Com o penta no papo, a coisa estica-se para R$ 1,1 bilhão. Quase o dobro neste trimestre julho/agosto/setembro.

Não menos importante: a promoção de produtos, serviços e eventos com timbre Pentabrás deve passar ao largo do terrorismo financeiro que não larga o osso do Brasil. Ou da empulhação eleitorística armada pela terceira vez sobre prévias eleitorais sem lastro real. Há que se aguardar as primeiras 15 noites do horário eleitoral gratuito, ora, pois! De resto, único no mundo.

Será que os analistas políticos, mal acompanhados por analistas de ''mercado'' (com sobras para analistas de futebol), não sabem ou simplesmente não querem ligar esse desconfiômetro? Motoristas de táxi já ligaram.

A propósito: que arruaça política a gente não estaria obrando agora se na tribuna de honra de Yokohama a televisão global tivesse flagrado, domingo, Fernando Henrique Cardoso, Celso Lafer, José Serra, José Dirceu e Lula lá? Que alienação terceiro-mundista, não?

Pois lá estiveram, em corrente pra frente, o presidente da Alemanha, Johannes Rau; o primeiro-ministro, Gerard Schröder; o ministro do Interior, Otto Schilly; e o líder da oposição, Edmund Stoiber. O detalhe: Schröder e Stoiber disputam em empate técnico a chefia do governo nas urnas de setembro.

Voltando à bola de ouro, nem só de Nike e Adidas vive o novo ''boom'' dos materiais esportivos no Brasil. Outras marcas e outras mídias oportunistas entram de sola nesta prorrogação comercial da Copa que já passou. Entre nós, destaque para a festiva pirataria do ramo, dona de quatro quintos do mercado. Ainda assim, Nike e Adidas esperam fechar 2002 com vendas de 30% a 40% acima de 2001.

No segmento de bebidas, expectativa de aumento anual de 20% a 25% pelo efeito Pentabrás. No de eventos e de ''points'', projeção de igual calibre. E no vídeo-som, incremento já consumado de 15%. Não foi maior porque o crediário de loja ainda é um gol contra clamoroso, com juros de 80% a 130% ao ano.

Secos & Molhados

Bola chipada

Desmembrada da Lucent, descolada da AT&T, a Avaya americana ganhou a bola de ouro na infovia da Copa com um plug na Coréia e outro no Japão. Ela interligou 20 estádios e dois centros de imprensa a televisores, rádios, jornais, revistas e sites do mundo todo.

Copa servida

Também com crachá da Avaya os sistemas de gestão do calendário de jogos, inventário de materiais e serviços e agenciamento de transporte e hospedagem das 32 delegações. Ah! Durante a Copa, a Avaya garantiu tráfego de dados da ordem de 11 terabytes. Sabem o que é isso? Eu não.

Bolsa bolada

No mercado de derivativos da BM&F, a palpitologia ludopédica, liquidada ontem, fechou 66 mil contratos (contra 11 mil na Copa de 98). A maioria perdeu dinheiro com França, Argentina, Inglaterra e Itália. Desacreditada, a Família Scolari pagava R$ 14, em abril. Ontem, embolsaram R$ 71 os ''comprados'' em Brasil.

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