‘‘Na energia, o futuro é hoje. Amanhã será tarde demais.’’
José Maria de Jesus, eletricista


Da força e da luz
Afinal, o que a cadeia de valor do setor elétrico tem a dizer e a propor sobre os desvios do passado e os prumos do futuro, a partir dos sustos do presente? O desafio maior está na falta de obras. Falta de obras por falta de verbas, por falta de chuvas ou por falta de regras?
A resposta está com a cadeia de valor da energia. Sobre ser pesada, ela é extensa. Envolve investidores, seguradores, reguladores, auditores, consultores, projetistas, construtores, empreiteiros, fabricantes de equipamentos e materiais, fornecedores de serviços de computação, logística e manutenção e operadores de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia.
A cadeia em peso dá carona a todas as alternativas que se apresentam para a matriz elétrica brasileira pós-apagão. Com destaque para as poderosas opções termoelétricas de primeira linha (óleo, gás e nuclear), devidamente escoltadas pelas energias suplementares da biomassa, dos ventos e da captação solar.
A partir de hoje, até sexta-feira, o Brasil da energia concentra-se em São Paulo, no Centro de Convenções Imigrantes, para dois megaeventos integrados: o 2º Fórum Brasileiro de Energia Elétrica (Infra GTDC 2002), hoje e amanhã, e o 1º Fórum Brasileiro de Óleo e Gás (Infra OG 2002), quinta e sexta. Promoção e organização da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib).
O Fórum da Energia tem o comando de José Luiz Alquéres. O Fórum do Petróleo e Gás, de João Carlos de Luca. Âncoras e moderadores: Paulo Henrique Amorim e Joelmir Beting. O presidente da ABDIB, José Augusto Marques, atraiu seis ministros para os quatro dias de pauleira: Pedro Malan (Fazenda), Euclides Scalco (Secretaria-Geral da Presidência da República), Pedro Parente (Casa Civil e CGCE), Francisco Gomide (Energia), José Carlos de Carvalho (Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e Sérgio Amaral (Planejamento, Indústria e Comércio Exterior).
Ainda na linha de frente, pelo lado do setor público, presenças de Everardo Maciel (Receita Federal), José Mário Abdo (Aneel), Mário Santos (ONS), Altino Ventura Filho (Eletrobrás), José Antonio Muniz Lopes (Eletronorte), Eleazar de Carvalho Filho (BNDES), Sebastião do Rego Barros (ANP) e Francisco Gros (Petrobrás). Nada menos de 28 técnicos do primeiro time das instituições federais envolvidas participarão dos debates.
O 2º Fórum da Energia Elétrica espera oferecer ao governo propostas concretas para os programas de revitalização do setor. Na agenda, revisão dos marcos regulatórios, novos padrões de financiamento, inventário da crise do racionamento e roteiro para o replanejamento a longo prazo do setor.
José Luiz Alquéres resume: ‘‘Se ainda não sabemos como fazer a coisa certa, já sabemos como fazer a coisa errada. É um bom começo.’’


Secos & Molhados

Voz do Brasil
O 1º Fórum Brasileiro de Óleo e Gás tem como alvo maior o recorte da posição brasileira em bloco para o próximo Congresso Mundial do Petróleo (WPC 2002), agendado para a primeira semana de setembro, no Rio de Janeiro. Com mais de 1.800 delegados de quase uma centena de países produtores e/ou consumidores.
Haja cacife
Na energia e no petróleo, o setor privado espera arredondar o discurso: só um bom regulamento pode religar as tomadas do investimento e as mangueiras do financiamento. Afinal, ambos os setores têm de mobilizar em conjunto, nesta década, capitais da ordem de US$ 11 bilhões por ano.
Impasses
Os temários do Fórum de Energia e do Fórum do Petróleo são densos. Eles estão focados na ruptura não mais postergável dos impasses institucionais e estruturais que ainda hoje exaurem as baterias de cada setor. Programa completo no site da Abdib (www.abdib.com.br).

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