‘‘A qualidade dos governos não está nos governantes que passam. Está nas estruturas, nos programas e nos funcionários que ficam.’’
William Arthur Lewis (1915-1991), Prêmio Nobel de Economia

Governo chipado
Se o governo virtuoso ainda é sonho de uma noite de outono, o governo virtual, devidamente chipado, já é uma realidade entre nós.
Na esfera da União, na maioria dos Estados e em dezenas de municípios. Tanto assim, que a ONU acaba de localizar o Brasil em 18º lugar no ranking global do chamado Governo Eletrônico.
A pesquisa cobriu 132 países e nela nosso setor público online pontifica à frente da Itália, da Irlanda, de Portugal, da Áustria, do Japão e de toda a América Latina, dentre tantos outros menos dotados. A pole position, of course, é dos Estados Unidos, donos do padrão e do idioma da internet, aqui tão beliscado.
Ocorre que o governo eletrônico verde-amarelo já supera o dos Estados Unidos em dois campos de monta: o da coleta de impostos e o da contagem de votos. Será que o presidente Bush teria mesmo ocupado o salão oval da Casa Branca se a Justiça eleitoral da Flórida, tão-somente da Flórida, tivesse utilizado uma apuração eletrônica importada do Brasil?
O importante é que nos usos da internet de chapa branca, isoladamente, o Brasil desponta em 7º lugar, com nota 4 (de 0 a 5). Façanha supimpa. Ainda padecemos de vazios e desvios na infra-estrutura nacional de telecom/datacom. O que exige dos profissionais do ramo bagagem de monta e dedicação de monge.
O estudo da ONU destaca no e-governo brasileiro a crescente interatividade com a sociedade, malgrado o ainda baixo coeficiente de inclusão digital da população. Operando em rede por dentro, de dentro para fora e de fora para dentro, o e-governo made in Brazil torna-se cada vez mais eficiente e cada vez mais transparente.
Que o diga o melindroso sistema de compras governamentais de bens e serviços. Pasto e repasto, em todo o mundo, do propinódromo camuflado e/ou ostensivo. O sistema federal brasileiro deve movimentar, este ano, compras administrativas de R$ 14,7 bilhões. Dos quais, perto de 6% já pelo atalho do leilão eletrônico, escorado por legislação pertinente.
O cérebro eletrônico da União é a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação. Ela se reporta ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. E recepciona os acessos da sociedade pelos portais de serviços (www.redegoverno.gov.br) e de compras (www.comprasnet.gov.br).
Modulado desde 1997, o ComprasNet informa a quem interessar possa: os custos de aquisição pela rede, em leilões virtuais, já declinaram 25%. Os prazos de contratação dos pedidos recuaram, em média, de até meio ano para apenas uma quinzena.
São nada menos de 160 licitações por dia. Elas totalizam perto de 600 mil suprimentos por mês, junto a quase 150 mil fornecedores cadastrados.
Secos & Molhados
Ampliação
O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), coração chipado do e-governo, trabalha na ampliação do ComprasNet. Vem aí um novo marco licitatório a bordo da futura Lei de Contratações da Administração Pública Federal. Aparato jurídico informado pelas possibilidades ainda maiores oferecidas pelas novas tecnologias de informação.
Superbanco
Servido pela Unisys e pela Vesta, o Serpro costura as bases da futura Rede Brasil-Gov. Esta vai juntar num mesmo clique de intranet os já portentosos bancos de dados do IBGE, do Dataprev, do Datasus e do próprio Serpro.
Congressos
O governo eletrônico desfilou, esta semana, em São Paulo, no Congresso de Informática Pública. Ensaio geral do Brasil para a Conferência Internacional de Governo Eletrônico, de 2 a 3 de julho, na Amcham/SP. No temário, legislação, segurança e e-cidadania.

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