Joelmir Beting
Ainda de costas para o mercado internacional, o Brasil está sendo globalizado de fora para dentro e não de dentro para fora.
Eugênio Staub, empresário
Comendo a poeira
Em matéria de competitividade econômica para uso externo (exportações) e para uso interno (substituição de importações), o Brasil ainda faz feio no Segundo Mundo dos emergentes. No ranking anual de competitividade de 49 países selecionados, o Brasil resvalou da 31ª posição, em 2001, para o 35º lugar agora em 2002.
Essa classificação dos emergentes pelo viés da excelência econômica no sentido da realização de produtos e serviços cada vez melhores a custos e preços cada vez menores atende por Anuário da Competitividade Mundial, elaborado desde 1989 pela Escola Internacional de Administração (IMD), de Lausanne.
A avaliação de cada país pesquisado joga com a ponderação de nada menos de 314 critérios. Abrangência que hospeda os campos do econômico, do estrutural, do científico, do tecnológico, do educacional, do regulatório, do jurídico, do financeiro, do tributário, do administrativo, do trabalhista, do político, do cultural, do ético e do ambiental.
No Fórum Nacional, encerrado ontem, no Rio de Janeiro, discutiu-se a competitividade da economia brasileira à luz do que fazemos e/ou deixamos de fazer no front da chamada Economia do Conhecimento. Faltou como referência ou como pano de fundo, na densa pensata de três dias, o trato das pistas do Anuário IMD 2002, divulgado na semana passada.
Tem-se no documento que ainda estamos na rabeira dos emergentes. Menos pelos gargalos da infra-estrutura econômica e pelos ralos da segurança jurídica dos contratos e mais pelos desvãos da infra-estrutura social, lastro maior da Economia do Conhecimento (e da competitividade verde-amarela).
No quesito Educação, matriz da afirmação nacional no século 21, o Brasil escorrega da média geral (35ª posição) para a 45ª colocação entre 49 emergentes. No ensino profissionalizante, ficamos com a lanterna (49º lugar). Na área da Saúde, em 45º. Na (in)segurança pública, também em 45º.
Nos indicadores macroeconômicos, perdemos o rumo e o prumo da competitividade no crédito bancário ou no custo do capital (48º lugar) e no garrote tributário (49º). Na infra-estrutura física, evoluímos nas telecomunicações e no petróleo, mas vamos mal das pernas no transporte intermodal ainda por fazer (38º) e na energia elétrica. Por obra do apagão 2001, nossa energia no ranking global despencou do 22º lugar, em 2000, para o 47º lugar aqui em 2002. Para o IMD, acabou a farra da eletricidade segura e barata.
Na capacidade brasileira de competir com o mundo, refletida nos saldos da balança comercial e nos graus de inserção do made in Brazil no comércio global (como proporção do PIB), desfilamos em 47º lugar, antepenúltima colocação entre os emergentes.
Secos & Molhados
Patinando No comércio exterior, nas duas mãos, o Brasil movimenta 18% do PIB. A Coréia do Sul, emergente de ponta, aciona nada menos de 69% do PIB. No PIB, a Coréia é um terço menor. No comércio exterior, duas vezes maior. Modelo brasileiro: importar menos. Modelo coreano: exportar mais.
Blindagem Na conta corrente com o mundo, primeiro quesito da (in)vulnerabilidade nacional, purgamos déficit de 4% do PIB. Os coreanos curtem superávit de 8% a 12% do PIB. Ninguém do lado de fora ousa dar nota baixa ao regime político coreano. Pouca gente do lado de dentro sabe o nome do ministro da Economia.
Referência Nos últimos 12 meses (já a bordo do apagão, mas com bolha cambial na parada), nossas exportações recuaram 2,1%. Fomos salvos pela marcha à ré das importações no mesmo período: queda de 12,5%. Nas vendas externas, os preços estão em baixa no mundo e os argentinos cortaram dois terços do made in Brazil.





