‘‘Não é o processo de globalização que dissolve as nações. A autodissolução das nações é que produz a globalização.’’
Emmanuel Todd, historiador francês


Educar ou morrer
Economia do conhecimento: opção estratégica para exportar. Eis o recheio do painel da tarde, ontem, no 14º Fórum Nacional, no Rio de Janeiro. O seminário levantou a bola na área e o economista Carl Dahlman, do Banco Mundial, fez o gol de cabeça.
Sim, já estamos a bordo da economia do conhecimento, a da valorização suprema do capital humano no processo econômico. Até os anos 80, esse repto não passava de discurso em banquete empresarial ou de mutirão em simpósio acadêmico. Agora, virou estratégia de vida ou morte para cada nação e para cada empresa dentro dela.
Entenda-se por economia do conhecimento o colorário da revolução ainda a meio caminho das tecnologias da informação. A valoração da empresa e a afirmação do país resultam, doravante, da qualificação e motivação de seus trabalhadores, cidadania de primeira instância. Ou como reprisou Carl Dahlman: o capital humano tornou-se, finalmente, o principal ativo da empresa moderna.
Potencialmente, o capital humano vale mais que o capital físico e o capital intangível. Este último, feito de marcas, imagem, patentes, alianças, parcerias, cotações de bolsa, base de clientes e crachá de responsabilidade social. O novo fio da meada começa do lado de fora das cadeias de valor: o aparelho educacional do país.
Assim sendo, lembrou Dahlman, o salto de competitividade para exportar (subtema do painel de ontem), no caso brasileiro, parte da capacitação em larga escala da força nacional de trabalho. Ou seja, tarefa para dois ou três governos - de 2003 a 2015.
O professor Carl Dahlmn fala de camarote. Ele participou pessoalmente da elaboração dos vitoriosos programas de ‘‘inserção global’’ (antes da globalização) da Coréia do Sul, desde os anos 70; e da China, a partir dos anos 80, já então brandindo o livrinho azul de Deng Xiaoping. A ‘‘política industrial’’ da Coréia do Sul, paradigma da tigrada asiática, começou pelas escolas, antes de agitar as fábricas.
A carapuça é nossa. Pelo receituário de Dahlman, até para exportar mais e importar menos, sob o safanão generoso de choques de produtividade, o Brasil precisa com urgência de duas âncoras: 1) uma revolução pela Educação; 2) uma revolução na Educação.
Um ‘‘front’’ ao qual tentamos chegar já com meio século de atraso. Tanto mais porque, neste advento da economia do conhecimento, a escola tem de operar como empresa e a empresa tem de funcionar como escola. O estudo virou trabalho e o trabalho virou estudo - em regime de educação continuada ao longo de toda a carreira de qualquer profissional.


Secos & Molhados

Reflexão 1 - Nada de novo na catequese de Carl Dahlman. Temos no Brasil uma vasta literatura de autores nacionais sobre a baciada de retornos econômicos, sociais e políticos dos investimentos em Educação de todos os níveis. Acumulando pó nas bibliotecas.
Reflexão 2 - País distraído, o Brasil se deixou emascular pela traiçoeira cultura da abundância: a da existência de mão-de-obra excedente e barata, autêntico DNA da economia fechada de baixa eficiência, geradora contumaz de empregos ruins com salários péssimos.
Reflexão 3 - Economia do conhecimento: opção estratégica para exportar. Esse repto do Fórum Nacional é estrábico. A economia do conhecimento veio à luz em meio mundo para promover a realização profissional e a afirmação social do Novo Homem na economia e na sociedade. No caso brasileiro, não se trata de ‘‘exportar ou morrer’’, mas de educar ou morrer.
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