‘‘Seis dias trabalharás, mas no sétimo descansarás; quer seja na semeadura, quer seja na colheita.’’
Êxodo 34, 21


Dia do emprego
Podia ser pior. O desemprego no Brasil, neste Dia do Trabalho, gravita ao redor de 7%, segundo o IBGE. Por metodologia similar, a desocupação alcança 9% na Eurolândia; 11%, no Uruguai; 12%, no Chile; e nada menos de 23% na Argentina em coma.
Claro, não podemos perder de vista, entre nós, o índice do Dieese, com sua metodologia abrangente e discutível. Por ela, desempregado é aquele que perdeu o emprego, é aquele que não encontra emprego, é aquele que já desistiu de procurar emprego, é aquele que nunca teve emprego. Desempregado também é aquele que realiza trabalho precário de própria conta e risco. Ou ainda: desempregado igualmente é o garoto de 10 a 14 anos de idade, tido na baixa renda como parceiro do arrimo de família.
Assim municiado, o Dieese aponta desemprego de até 21% na região metropolitana de São Paulo. Ou um quinto da força de trabalho. Em todo o País, dos 80% de braços e cabeças ocupados, mais da metade rumina o desvão do emprego informal, sem registro em carteira. Ou se preferem: sem INSS, sem FGTS, sem CLT, sem CUT, sem greve, sem férias, sem 13º, sem promoção, sem legislado, sem negociado, sem auto-estima.
Com ou sem atualização da legislação trabalhista dos anos 30, o desafio brasileiro (de resto, do mundo inteiro) está em dois locus ou focus: 1) promover o crescimento quantitativo e qualitativo da economia como um todo; 2) compatibilizar a modernização das cadeiras produtivas com a expansão também do emprego e não apenas da produção.
Ainda estamos na cabeceira dessa pista, de há muito aguardando o tiro de partida. Ocorre que o crescimento continuado da economia brasileira está literalmente sabotado por impostos extorsivos e por créditos abusivos nas bases da produção e nas pontas do consumo. Desvio de rota tratado ontem nesta coluna (As cargas da anta).
Não dá para religar os reatores do PIB, com toque de 7% ao ano, a partir do atual crédito bancário abaixo de 27% do PIB e da atual carga fiscal acima de 34% do PIB. A menos que a economia brasileira consiga cometer uma impropriedade de física aplicada: a de soerguer-se do chão puxando os próprios cabelos.
Os estudiosos da Economia do Trabalho lembram neste 1º de Maio que o emprego formal (e informal) só voltará a crescer entre nós quando o PIB trafegar lampeiro acima de 6% ao ano. No mínimo. Abaixo disso, a expansão do produto tende a se contentar com ganhos de produtividade da empresa. Ou seja: produção cada vez maior por unidade de trabalho humano.
De maior visibilidade política (ou sindical), o setor automotivo ilustra o fenômeno entre nós. Nos anos 80, ainda ao tempo da proteção cepalista do mercado interno, o metalúrgico brasileiro produzia 16 carros por ano. Hoje, 134. Carroça era, não o carro; carroça era a fábrica.


Secos & Molhados

Vai mudar
Prêmio Nobel de Economia, James Heckman liga a bola de cristal e projeta o modelo do trabalho formal em 2020 nos Estados Unidos (e por osmose globalizante, em 2030 no restante do mundo). Ele diz que o trabalho vai aposentar o conceito de emprego e consagrar o conceito de serviço. A empresa vira cliente do titular do serviço.
Modelagem
Em 2020, a relação de trabalho (ou de serviço) terá o seguinte formato, segundo cenaristas da mesma linha: contrato coletivo ou individual, temporário, por empresa, com participação nos resultados (ganhos e/ou perdas). Haverá dentro dele um certo rescaldo de direitos (e deveres) legislados.
Como é que é?
Yes, saem de cena os sindicatos e as respectivas centrais. Banidos pela extinção do contrato por categoria. Ou até mesmo pelo fim do contrato coletivo dentro de uma mesma empresa. Calma! Por aqui, só em 2030.

mockup