‘‘Não sei o que vem pela frente. Só espero que seja pela frente.’’ Pára-choque de jamanta na Linha Vermelha


Aéreas sem proair
Porque o BNDES avisa que a crise da aviação comercial – de resto, universal – se tornou da variedade rosca sem-fim, o governo adianta que não vai armar nenhuma barraca de pronto-socorro financeiro e tributário na cabeceira da pista. A crise é de gestão e não de mercado, suspiram técnicos dos Ministérios da Defesa e do Desenvolvimento.
O relatório do BNDES aponta a única saída para as empresas já no limiar da insolvência (exceção da Tam e da Gol): a capitalização de mercado, sócio no lugar do credor. Faltou explicar: alguém toparia colocar dinheiro bom sobre dinheiro ruim? Nem o próprio BNDES, banqueiro público com vocação de acionista privado.
Até prova em contrário, as operadoras em apuros tendem a navegar no vermelho, sob a pesada borrasca do endividamento acumulado. Passivos consolidados são incompatíveis com a capacidade de geração de caixa da Vasp e da Varig, sem contar a Transbrasil já em morte cerebral declarada. E o que dizer do risco cambial do negócio?
A radiografia setorial do BNDES adverte para a existência de ‘‘conflito de interesses’’ entre controladores e funcionários no caso da Varig. Ou de problemas de ‘‘governança corporativa’’ na pista esburacada da Vasp.
O mesmo diagnóstico sugere que a crise de gestão estaria agravando a crise de mercado e não o contrário. As empresas estão batendo asas abaixo de 60% de ocupação dos assentos oferecidos.
Ainda um excesso de oferta no rescaldo de cortes de vôos, de linhas e de aviões. Pior: com tarifas de baixo retorno, achatadas pela concorrência a ferro e fogo.
A abertura do mercado ultra-regulado ocorre no vácuo da falta de treino mercadológico ao fim e ao cabo de meio século de comando e de mando estatal. Ademais, consultores do ramo ponderam que o ‘‘tamanho ótimo’’ do mercado brasileiro comportaria, hoje, duas empresas no tráfego doméstico de primeira linha e uma única bandeira nacional no mercado externo em estado de guerra.
A restauração do setor teria de passar também por um novo Código Brasileiro de Aeronáutica. Capaz de permitir a concordata preventiva e de refazer marcos regulatórios obsoletos. Mas não é preciso um novo Código nem uma nova Agência para a adoção de um novo cardápio tarifário e de um resseguro cambial lastreado em fundos da Infraero formados pelo pesado adicional das taxas aeroportuárias.
Fechando a roda, o BNDES propõe alívio fiscal no querosene de aviação, o fim da tributação no leasing de aeronaves e o desmanche de catracas burocráticas na importação de componentes.


Secos & Molhados

Pelo mundo
Nas linhas internacionais, restam a Varig e a Tam. A segunda empina lucro com ocupação a partir de 60%. A primeira, só acima de 75%. A guerra tarifária e de serviços no mercado global é cada vez mais selvagem. E os custos operacionais, cada vez mais elevados. Sem contar o efeito Bin Laden na terra e no ar.
Carga aérea
E que tal disputar o apetitoso mercado da carga aérea? De baixa visibilidade, o negócio ganha nova dimensão com o advento da logística de gestão do tempo e da atenção. Presidente da Infraero, Fernando Perrone informa que 65 aeroportos nacionais estão investindo em infra-estrutura para uma crescente movimentação de cargas – vocação do Brasil continental.
Sinergia
Fernando Perrone entusiasma-se com a decolagem, em 2003, dos chamados Aeroportos Aduaneiros Industriais. Com espaço cativo para a instalação de ‘‘fábricas exportadoras’’ em regime diferenciado e favorecido. Na primeira leva, Confins (MG), Petrolina (PE) e Galeão (RJ).

mockup