Joelmir Beting
O exercício da política é a ardilosa técnica de fazer de cada solução um problema. Napoleão Bonaparte (1769-1821), imperador francês
Como é que é?
Os brasileiros precavidos estão consumindo R$ 1 milhão por dia em preservativos. Sem contar a distribuição gratuita da ilustre mercadoria por órgãos públicos. Maior fabricante do mundo, a americana Ansell, na pele da Dharman, faz a estréia entre nós marcando gol de placa: camisinhas com distintivos de futebol licenciados pelo Clube dos 13.
Deu Flamengo, of course. Em fevereiro, pico da carnavália nacional, a grife Flamengo enfeitou 751 mil unidades. Em segundo, claro, o Corinthians, com penetração de 651 mil. Em terceiro, o dístico do São Paulo, com 387 mil. Em quarto, o do Palmeiras, com 357 mil. A agência Young & Rubicam adianta que o produto estará disponível, até dezembro, em mais de 10 mil pontos-de-venda. Incluídos os barraqueiros de beira de estádio em dia de jogo.
Em tempos bicudos de bandidagem incentivada, a Sanyo japonesa lança no mercado global um cão de guarda chipado. O cachorro-robô pesa 7 quilos, circula pelo recinto sob proteção e estará plugado a uma rádio-base do condomínio ou ao celular do dono. O bicho digital late e não morde, mas rastreia tudo, arquiva tudo e delata tudo - em tempo real. Chama-se TS7 e vale US$ 750. Uau!
Conferência de cúpula Inglaterra-França, em Bruxelas, aprova novo plano de paz para o Oriente Médio. Confecções chinesas invadem a Europa a preços de ameixa. Anarquistas invadem e dinamitam fazenda de ministro argentino em Baia Blanca. Multidão desrespeita proibição policial e malha Judas em praças e ruas do Rio de Janeiro. Prefeitura de São Paulo autoriza 34 novas linhas de bonde de tração animal. Dos jornais de 26 e 27 de março de 1902.
Deu no The New York Times de segunda-feira: trabalho escravo faz da exportação da carne bovina da Amazônia um dumping escandaloso nos mercados externos. Vixe! Desde quando o Brasil cria vacas, além de antas, na floresta quente e úmida? E, se por ali vem criando, desde quando exportamos essa proteína vermelha de vergonha?
Sem dinheiro, argentinos vendem cabelos, os próprios. Em Rosário, fábrica de perucas naturais troca cabelos importados da Rússia por cabelos nacionais oferecidos em fila. A peça pronta vale US$ 180. O fabricante só compra em peso e só vende em dólar.
Porque o euro veio para ficar, os italianos descobrem-se livres do risco cambial como de resto, todos os habitantes dos outros dez países da Eurolândia. Vai daí que a repatriação de depósitos na Suíça já começou. Em euros. Volta ao lar facilitada pela anistia tributária com anonimato legal (lei do scudo fiscale). Fala-se em repatriação, em cinco anos, de até meio trilhão de euros
Secos & Molhados
Futebolice 1
Nossos gramados estão mais para pastagem que para futebol. O brasileiro não mais consegue passar nem chutar de primeira. Obrigado a dominar a bola quadrada, dá tempo e espaço aos ferozes marcadores. Que o técnico manda rachar, que o torcedor exige rachar e que o juiz deixa rachar.
Futebolice 2
Resultado: média de 58 faltas por jogo no futebol brasileiro, contra 37 no campeonato argentino ou 33 no campeonato italiano. Uma falta a cada minuto de bola rolando. Isso não é mais jogo truncado. É jogo fraudado. Vale só meio ingresso.
Futebolice 3
A Antarctica sequestrou da Coca-Cola, via CBF, o patrocínio da seleção. De bate-pronto, a Coca-Cola contratou a estrela-guia Romário. Então, enquanto Felipão vai de garoto-propaganda da Antarctica, Romário vai de garoto-propaganda da Coca-Cola. Não dá liga. Só falta acabar com a novela do subterfúgio e dizer isso às claras.





