Joelmir Beting
Os trouxas raleiam, mas não acabam.
Dimas Tibúrcio, filósofo jauense
Sem focos nem locus
Algumas colheradas de pau na gororoba política do dia. Primeira: para 88,8% do eleitorado nacional, o que causa indignação é a rapinagem e não a espionagem da rapinagem. Bem ao contrário, para 66,1% dos cidadãos com direito a voto, dois terços, a espionagem é mal necessário para detectar, comprovar e delatar casos de surrupio de recursos públicos escassos para fins privados escusos.
Segunda: convocar a ONU para fiscalizar e legitimar a sucessão presidencial brasileira é atirar um solene coco de babaçu na nuca da Justiça Eleitoral brasileira. Sem entrar no mérito da competência e da ombridade desse depositário da fé pública na vontade das urnas, os respectivos togados deveriam, numa intervenção externa desse calibre, pedir asilo político à Nova Zelândia.
Mesmo porque os atarantados auditores da ONU teriam de repassar usos e costumes do processo político/partidário/eleitoral desde a entronização da Nova República em 15 de março de 1986. Uma reputação já abastecida pelos cientistas políticos do País. Os quais reservam capítulos cabeludos para ações e reações das oligarquias petrificadas nos respectivos currais eleitorais.
Diga-se de passagem: desde quando a ONU tem gabarito para empreitadas dessa natureza? O certo seria uma auditoria externa para dentro da própria ONU. Onde cada dólar anda realizando o trabalho de 30 centavos. A mesma ONU que desfila, nesta semana, em Monterrey, uma vasta masturbação sociológica, diria o Serjão, sobre os rumos e os prumos da globalização.
Igualmente de passagem: burocratas alemães da ONU fretaram um avião para a Conferência de Monterrey e pousaram, segunda-feira, em Monterey da Califórnia, a 2.600 quilômetros de Monterrey do México, local do evento. É assim que eles conhecem o mundo.
Vai daí que o presidente Fernando Henrique Cardoso rechaça de bate-pronto a oferta de uma xerifada da ONU e avisa, a quem interessar possa, que o melhor xerife das urnas, dos palanques e dos arreglos, ao largo do Ministério Público e da Justiça Eleitoral, é a mídia verde-amarela (jornais, revistas, rádio, televisão, Internet). Certo?
Nem tanto. O governo Sarney, em especial, suplementou com concessões de rádio e televisão políticos-empresários por todo o País. Hoje, donos de rádio e televisão respondem pela governança de 12 Estados, incluído o Maranhão, centenas de municípios e por 29% das cadeiras do Congresso Nacional. A maioria, com crachá do PFL (Partido da Fisiologia Liberal).
Secos & Molhados
Rumo certo - Tratemos de coisa séria. A taxa básica de juros foi rebaixada pela segunda vez no ano em um quarto de ponto porcentual. Há quem torça o nariz: por que não meio ponto porcentual? Bem, penso que, nesta altura do calendário, o importante na orquestração da baixa da Selic é o rumo e não o ritmo.
Reversão - Ainda falta consolidar os indicativos de recuperação geral dos negócios (sem desestabilização geral dos preços). A percepção coletiva de que o Brasil, se ainda não melhorou, já parou de piorar, relança condições concretas para uma Selic de no máximo 16% até dezembro.
Ainda brava - Se o IPCA contentar-se no ano com menos de 6% (o núcleo da meta oficial é de 3,5%), vamos penetrar em 2003, a bordo de governo novo, com taxa básica real ainda de dois dígitos. Uma pena.
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