‘‘O segredo do sucesso não está em fazer previsões do futuro. Está em preparar-se para o futuro que não pode ser previsto.’’
Michael Hammer, consultor americano
Aposta na Petrobrás
Quem diria? Os Estados Unidos acabam de incluir em seu planejamento estratégico (pós 11 de setembro) a importação de petróleo também do Brasil. Claro, coisa para 2020, dentro de cenários remontados para 2050. Sim, ainda haverá lá na frente máquinas, motores, usinas, plásticos, tecidos, adubos e veículos movidos a derivados de petróleo.
Petróleo do Brasil? Yes. Deu ontem no The Wall Street Journal: os Estados Unidos aceleram a substituição do petróleo muçulmano pelo petróleo cristão da banda ocidental do planeta sem juízo. Esse transbordo já está a meio caminho. Em 1980, os barris do Oriente Médio respondiam por dois terços (65,8%) da importação total dos Estados Unidos. Em 2000, menos da metade (48,6%).
Petróleo brasileiro? Relatório do Departamento de Energia dos Estados Unidos inclui a bacia sedimentar brasileira, de quase 6 milhões de quilômetros quadrados na terra e no mar na categoria de ‘‘reserva de potência planetária da energia fóssil primária’’. É a terceira maior do mundo sob uma só bandeira, atrás apenas da russa com a Sibéria e da americana com o Alasca.
Reserva de potência? Pela ordem: 1) temos um vasto mapeamento para prospectar; 2) abriu-se à parceria privada o cometimento de tamanha empreitada; 3) a Petrobrás é dona da tecnologia mais poderosa do mundo para a pesquisa e lavra em águas profundas; 4) um ‘‘boom’’ brasileiro do petróleo, repeteco do que empolgou (pós oil-schock da Opep) a Rússia, a China, o México e o Mar do Norte, deve ocorrer em mais cinco anos, se tanto; 5) tem-se como viável a auto-suficiência do Brasil a partir de 2005, com sobras crescentes para exportação no mais tardar em 2015.
Well, o que a Petrobrás acha disso? Descartado o (des)estímulo do preço pendular de um mercado ‘‘spot’’ paranóico, a estatal verde-amarela de ambição continua investindo pesado em ampliação, modernização, diversificação e internacionalização. Nos últimos tempos, do alto de uma lucratividade recorde, também em transparência contábil e em governança corporativa.
Peteca recentemente repassada de Henri Philippe Reichstull para Francisco Gros. Executivos escalados por competência técnica e não por conveniência política. Na linha dos preparativos da estatal para o choque de competição que já começou.
Entre outras tacadas, a de uma nova ofensiva no ‘‘front’’ do refino dentro e fora do País. Além da abertura do ‘‘core business’’ para o gás natural e a geração de termoeletricidade. Virou empresa de energia no sentido matriz da coisa.
Secos & Molhados
Desafio
Consultores do ramo dizem que a reversão física do Brasil, de importador a exportador de petróleo e derivados, tem como maior desafio a redução do custo médio de pesquisa e lavra do óleo bruto. Custo ainda acima da média global.
Suspense
Como toda ‘‘commodity tradeable’’, o petróleo não deixa de ser um contrato de risco. Não o risco da pesquisa, mas o risco do mercado. Ou das cotações do mercado. Entrando nesse jogo, de dentro para fora, a Petrobrás terá de estocar fôlego de sobra para ciclos de epa-epa engastados em surtos de oba-oba.
Pólvora
Ao contrário do café, do ferro ou do açúcar, o tesouro fóssil mistura barris com fuzis na mesma mesa. É uma ‘‘commodity’’ em perene estado de guerra. A atual recarga da águia americana na direção do falcão iraquiano, por exemplo, tem a ver menos com a caça ao terror e mais com a caça ao óleo.

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