‘‘Na vida econômica, o otimismo não funciona, nada melhora. Muito cuidado, porém. O pessimismo funciona, tudo piora.’’
James Tobin (1918-2002), economista americano


James Tobin
Prêmio Nobel de Economia de 1981, o professor James Tobin, morto segunda-feira, sustentou ao longo de sua suculenta produção acadêmica que os governos deveriam relaxar os controles sobre os mercados de produtos e endurecer os controles sobre os mercados de capitais. Os primeiros, rezava ele, são bucaneiros e construtivos. Os segundos, predadores e permissivos.
Ao propor, em setembro de 1971, a criação de um imposto ou pedágio para transações financeiras que, como os ventos, atravessam fronteiras nacionais, o ‘‘schollar’’ doutorado em Harvard e diretor em Yale como que inventou uma CPMF global, de caráter corretivo, para o capital volátil sem bandeira, idéia desde então popularizada no debate econômico como Taxa Tobin.
Que não se perca pela data. Em setembro de 1971, o mundo se deixava varrer por uma onda de indignação levantada a partir do salão oval da Casa Branca. Em 15 de agosto, o governo Nixon havia rasgado toda uma fieira de tratados monetários internacionais, eliminando o lastro ouro do dólar americano – já então convertido em moeda universal de reserva e de troca. Eu estava em Washington e me lembro que o coitado do ‘‘board’’ do FMI só tomou conhecimento do ‘‘Nixon Schock’’ pela televisão.
James Tobin detectou ali o embrião de uma fuzarca cambial de alcance global. Cuidou, pois, de usinar uma vacina contra o vírus da especulação financeira do ‘‘hot money’’. Que elegeria como vítima predileta os países desprotegidos do chamado Terceiro Mundo.
Longe de ser uma panacéia, a Taxa Tobin teria evitado o choque dos juros de 1979/81 (gatilho da década perdida para 34 países em moratória nos anos 80, Brasil no meio). Teria igualmente abortado o rosário de ‘‘crises globais’’ tipo Ásia (1997), tipo Rússia (1998), tipo Brasil (1999), tipo Turquia (2000) ou tipo Argentina (2001). E por que não também um tipo Japão (2002)?
Pelo sim, pelo não, os militantes da antiglobalização quixotesca deram de desfraldar a Taxa Tobin em seus simpósios, manifestos e arruaças – James Tobin torceu o nariz e escreveu em dezembro de 1999: ‘‘Estou sendo prestigiado pelo lado errado. Sou pela taxação dos capitais voláteis, sim. Mas esses mesmos ativistas combatem ferozmente minhas defesas do livre comércio entre os povos.’’
Em seu longo apostolado neokeynesiano, James Tobin vestiu a camisa do Estado Ótimo no lugar do Estado Máximo e/ou do Estado Mínimo. Discussão ainda hoje fora de foco em todo o mundo.


Secos & Molhados

Para todos
James Tobin produziu pensàtas clássicas em torno dos impactos das escolhas do capital sobre a condição humana na família, no governo, na empresa, no trabalho, no consumo, na poupança. Com ele, segundo Paul Krugman, ‘‘o debate econômico era mais bonito e mais honesto’’.
Novo poder
No fundo, James Tobin acreditava na racionalidade do processo político que condiciona a vida econômica. Apostava suas fichas em um novo estilo de poder central sobre a economia de mercado: a do Estado regulador e arbitral, na linha do que ele chamava de ‘‘mercado pactuado’’.
Humor pesa
Tobin buscou a sociologia do comportamento para teorizar sobre os estados de otimismo e pessimismo que patrocinam as escolhas econômicas de governos, empresas e cidadãos. Tese ajustada aos valores da sociedade americana em The American Business Creed (1956).

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