‘‘Lembram-se daquele filme ‘‘Todos os homens do Presidente’’? Romário prefere encenar ‘‘Todos os presidentes do Homem.’’
Mauro Beting, comentarista esportivo


Falta de más notícias
Bolsa em alta e dólar em queda. Eis a face visível da Lua crescente do tal de ‘‘mercado’’, o financeiro, posseiro das expectativas dos agentes econômicos em geral. Quer dizer: na opinião de analistas em causa própria. Comigo não, violão.
Prefiro tomar como barômetro do estado de espírito da economia e da sociedade o rosário cotidiano de projeções, escolhas e decisões dos homens que fazem e refazem a economia real nas empresas de todos os ramos e de todos os níveis – em cada cadeia de valor, do primeiro fornecedor na base ao último consumidor na ponta.
Para os habitantes dessa face oculta da Lua, o Brasil que produz, trabalha, investe e consome volta a dispor da faca, do queijo e da goiabada na mão para um novo ciclo sustentável de crescimento econômico com estabilidade monetária. O mesmo ciclo que já teve sua retomada repetidamente abordada nas crises da Ásia, da Rússia, do câmbio, da Argentina, da águia, do apagão e do terror pelo terror.
Nesta semana, só faltou a Folha de S. Paulo republicar a manchete da edição de 17 de outubro de 2001: ‘‘Falta de más notícias alivia preço do dólar.’’
Não é para menos. O governo decreta o fim do racionamento de energia e consultores desavisados descobrem que o apagão, lançado como tragédia, foi uma solução. Ou ainda: pela primeira vez o Brasil rebaixa o preço da gasolina em quase 20% nos portões da Petrobrás – que também pela primeira vem a público para explicar e justificar, em página dupla, uma recomposição de 2,6% a partir de amanhã.
Ah! E já com a Fipe-USP avisando que esse ajuste na gasolina vai impactar o IPC paulistano em nada além de 0,05% nesta travessia de março. Com pinta, segundo ela, de deflação aí pela proa. O mesmo índice baixou de 0,57% em janeiro para 0,20% em fevereiro.
E tome a ata do Copom, divulgada ontem, avisando aos navegantes que o pior já passou e que nada impede a adoção de viés de baixa, na Selic. Até porque o ministro Pedro Malan, pela primeira vez na carreira de sete anos e dois meses no leme do barco, admitiu publicamente, no Congresso Nacional, quarta-feira, que: a) os juros no alto são insustentáveis; b) os juros precisam baixar; c) com certeza, os juros vão baixar.
Na baciada de boas notícias, a pitada de Alan Greenspan, o ‘‘senhor dos mercados’’. Ele disse no Senado americano, na mesma quarta-feira, que: a) o Brasil já escapuliu do contágio argentino; b) os mercados no Brasil ‘‘estão indo razoavelmente bem’’. Amém.


Secos & Molhados

Reversão
- Mais: Greenspan sustenta que a recessão americana acaba no segundo trimestre. Entre nós, o Ipea garante que vamos passar de 1,8%, em 2001, para 2,5%, em 2002. Só isso? Bem, o IPCA gregoriano baixaria a crista de 7,7% para 4,7%.
Distensão
- Enquanto na Argentina os governantes celebram o pacto fiscal da União com as províncias, aqui no Brasil os empresários ligam o fio terra na neurose da vigília eleitoral. Ou como suspirou Malan no Congresso: ‘‘É só mais uma eleição.’’
Promoção
- E o que dizer da ranzinza Moody’s, classificadora de riscos alheios? Ela acaba de promover a dívida externa brasileira da posição de ‘‘estável’’ para a condição de ‘‘positiva’’. Sacaram?
Seleção
- Só falta agora o Felipão convidar o Romário para a seleção. Exigência do presidente da República e do presidente da CBF. O presidente da Coca-Cola já deixou.

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