Joelmir Beting
São duas as coisas realmente infinitas: o universo e a burrice. Pensando bem, ainda não estou certo quanto ao universo.
Albert Einstein (1879-1955), cientista alemão.
Somos sustentáveis
Nos Estados Unidos e na União Européia, nove em cada dez terráqueos apontam o dedo em riste na cara do Brasil. Na percepção supostamente bem informada de americanos e europeus, somos os pilotos suicidas da destruição terrorista da Amazônia, patrimônio biológico da Humanidade.
Eis que pesquisadores das universidades de Yale e Columbia, financiados pelo big business do Fórum Econômico Mundial, acabam de costurar e divulgar o Índice de Sustentabilidade Ambiental (ESI, em inglês). Trata-se do primeiro ranking global do gênero, cobrindo 142 países ricos, pobres, emergentes e submergentes. Íntegra do documento na Web (www.yale.edu/envirocenter).
Na ponderação do ESI, entram 20 indicadores cruzados, obtidos pela mixagem de 68 variáveis separadas. Essa prospecção exigiu 27 meses de trabalho de campo e anos a fio de coleta e análise de dados sobre o estresse ambiental de nossa mal-amada espaçonave Terra. Com o lembrete de sempre: nesta viagem sem fim pelo tempo e pelo espaço, teremos de sobreviver unicamente com as provisões de bordo, sem parada técnica para reabastecer coisa nenhuma.
O índice ESI vai de 0 a 100. Quanto mais limpo ou menos sujo um país, maior a nota ponderada. A avaliação leva em conta condições do presente, situações do passado e inclinações do futuro. E não apenas do ecossistema natural. Igualmente do ambiente econômico, cultural, político e institucional nos tratos da sustentabilidade ambiental (no miolo do moderno conceito de desenvolvimento sustentável ou duradouro).
Vamos lá. Quais são os três países mais limpos do mundo? E os três mais sujos? Os três primeiros, para variar, são escandinavos: Finlândia (73,7), Noruega (72,8) e Suécia (72,2). Os três últimos, na rabeira da lixeira: Coréia do Norte (31,8), Kuwait (25,4) e Emirados Árabes (25,3). Os dois últimos, encharcados de petróleo sob um oceano de areia. A Coréia do Norte ainda está comunista e esse negócio de sustentabilidade ambiental é frescura capitalista.
Pela própria metodologia, o ranking ESI rende discussão futebolística interminável. Exemplo: o Brasil aparece em honroso 20.º lugar, com índice 59,6. Bem à frente de países civilizados como Holanda (33.º), França (34.º), Espanha (46.º), Estados Unidos (51.º), Alemanha (54.º), Japão (62.º) ou Itália (86.º). A Itália perde até da Rússia (74.º) ou da África do Sul (79.º).
Desconcertantes as posições da tríade Japão, Alemanha e Estados Unidos. Os japoneses lavam as mãos: o arquipélago é fisicamente hostil. Os alemães botam a culpa na anexação do lado oriental, lixeira bioquímica escandalosa.
Secos & Molhados
Nosso fôlego - Segundo o ESI, na média brasileira (59,6) as notas mais baixas foram para cooperação internacional (50) e para capacidade institucional (52). As mais altas: reservas ambientais (66), desastres naturais (66), pressões sociais (63).
Efeito Bush - Os Estados Unidos, com média 52,8, tiraram boa nota em controles da vulnerabilidade humana (80) e em capacidade institucional (74). Mas fizeram feio em cooperação internacional (24). Que o diga o chute no balde de oxigênio do protocolo global de Kyoto.
Não dá liga - Yale e Columbia comprovam que riqueza econômica não garante sustentabilidade ambiental (nem econômica e social). A riqueza produz estresse ambiental (a pobreza também). A diferença está, em cada país, nas atitudes de governos, empresas, instituições e cidadãos perante os desafios do desenvolvimento sustentável.
www.joelmirbeting.com.br
[email protected]





