‘‘Os governos teimam em esconder a existência de vida fora da Terra. Essa burrice só faz por prejudicar a globalização e o capitalismo.’’ Susana ‘‘Tiazinha’’ Alves, vidente ufológica
Ainda o disco voador
Sim, o disco voador da taxa básica de juros ‘‘made in Brazil’’, vulgo Selic, congelada em 19% ao ano. Nesta quarta-feira, reunião com aviso prévio do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, o piso do custo do dinheiro de aluguel na economia brasileira tem a faca, o queijo e a goiabada na mão para deixar tudo como está para ver como é que fica.
Para os peritos do mercado financeiro, ‘‘não há espaço nem tempo’’ para uma redução sequer cosmética da Selic verde-amarela de tédio. Nem mesmo para a adoção de algum viés de baixa aí pela proa de março ou abril.
Por quê? Porque a inflação ainda pressiona a barra da jaula de um dígito anual. Ou mais precisamente: a curva do IPCA ainda não garante o cumprimento da meta gregoriana de 3,5%, objetivo leonino do ‘‘inflation targeting’’ tupiniquim. A flutuação do dólar igualmente recomenda brandir no focinho do capital sem bandeira a cenoura dourada da ‘‘arbitragem’’ positiva de juros internos e externos.
E mais: a Argentina ainda está longe de safar-se da atual ‘‘solução de choque’’. E, como é sabido, a biotecnologia cambial ainda não apurou a vacina capaz de nos livrar de uma recaída do contágio online de um mercado alarmado e alarmista.
Doutor em Brasil, o economista teuto-americano Rudiger Dornbusch escreve, em meia centena de jornais do mundo, que os juros brasileiros devem continuar na estratosfera porque é justamente lá no vazio sideral que se encontra a rolagem forçada de uma dívida pública interna da ordem de 55% do PIB. Com expectativa de expansão nominal de até 22% nesta travessia de 2002.
Nada a ver, segundo Dornbusch, com o ‘‘índice de corrupção’’ na sociedade brasileira, apontado pelo secretário americano do Tesouro, Paul O’Neill, como causa maior da usura nacional bruta. O professor do MIT lembra que o México tem ‘‘índice de corrupção’’ bem maior que o do Brasil, mas o peso do ‘‘risco país’’ amoitado na taxa básica de juros dele não tem passado de 3% a 4%. O peso do risco Brasil vem oscilando, desde 1995, entre 8% e 12%.
Culpa da magnitude da dívida pública brasileira. Ela está indexada pela Selic em 53% do atual montante de R$ 630 bilhões.
Houve mudança de metodologia no cálculo dela em 1999. Mesmo com essa ressalva, a expansão real do endividamento mobiliário do Estado brasileiro, de 1994 a 2001, tomando-se como deflator o IGP-DI, acumulou o torque telúrico de 352%.
Secos & Molhados
Além da conta - Para Dornbusch, é o peso da dívida e não o medo da inflação, do vizinho ou do câmbio, que deve sustentar a Selic no patamar atual de 19%. Com o lembrete aqui da coluna: 77% dos vencimentos de 2002 ocorrem agora em fevereiro e março. Logo, Selic no declive só a partir de abril.
Quem fatura - A manutenção da Selic consulta o interesse primacial dos credores da dívida pública. Assim compartilhada: 42% dos bancos (carteira própria); 34% dos fundos de investimento; 15% dos compulsórios e judiciais; 5% das empresas em geral. Nós outros, pessoas físicas ou cívicas? Nada além de 0,50%.
Refresco - A melindrosa administração da dívida pública conseguiu, em 2001, ano das bruxas nacionais e importadas, aliviar o perfil da própria. O prazo médio foi alongado de 29 para 35 meses. Os vencimentos baixaram de 53% em 1999 para 42% em 2000 e para 34% em 2001. Para este ano, 26%.
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