''Eu jamais faria qualquer dívida em banco. Invariavelmente, é um péssimo negócio.''


Amador Aguiar (1907-1991), banqueiro


Refresco no câmbio

Palavra do Banco Central: cada redução de 1% na cotação do dólar sobrevalorizado equivale a uma redução de R$ 2,1 bilhões na dívida pública e de R$ 1,4 bilhão (sim, em reais) na dívida externa. Ou um alívio somado de R$ 3,5 bilhões nas contas do Tesouro mais que o dobro da renúncia orçamentária exigida pelo aumento de 11,11% do salário mínimo a partir de abril de 2002.

Esse cálculo contenta-se com a correção de toda a dívida externa e da parcela da dívida interna atrelada ao câmbio. Não inclui o efeito do dólar amaciado sobre a variação dos juros no refinanciamento de uma dívida pública que alcançou, há 40 dias, o Everest dos R$ 675 bilhões. Algo parecido com 55% do PIB verde-amarelo de espanto.

Ainda assim, o Banco Central suspira fundo e revela que essa relação dívida/PIB poderá retroceder para 51% se o dólar mantiver a cotação média de R$ 2,40. Cotação tida como de bom tamanho, se cotejada com a mediana de 2000, cozinhada em R$ 1,81.

Na hipótese de um dólar a R$ 2,40 para a travessia de 2002 (projeção mantida até aqui no Orçamento-Geral da União), a dívida pública seria aliviada no ano em exatos R$ 38,8 bilhões. Ou duas vezes a CPMF. De resto, xingada de ''imposto infame'' pelo próprio presidente do Bacen, Armínio Fraga.

É bom lembrar que a valorização excessiva do dólar produziu um duplo estrago no endividamento público aqui dentro e lá fora. Primeiro: elevou, em moeda nacional, a parcela da dívida pública interna corrigida pelo câmbio. Segundo: obrigou a autoridade monetária a emitir um volume crescente de títulos federais com correção (ou hedge) cambial. Até novembro, emissão adicional de R$ 21 bilhões.

A reacomodação do câmbio pelo viés da chamada ''taxa de equilíbrio'', pactuada pelo mercado livre quando operando a carga plena, igualmente alivia a pressão inflacionária (que os puristas preferem chamar de tensão inflacionista) na operação dos negócios públicos e privados. Começando pelo megabloco dos preços dolarizados do petróleo e da energia.

Vale reprisar aqui que os ''preços públicos'' têm peso de 30 pontos na ponderação do IPCA. Pois nesta atribulada carreira do IPCA 2001, os preços de governo, com peso 30, responderam por 71 pontos na estrutura do índice gregoriano, ao redor de 7%. Os preços de mercado, com peso 70, contentaram-se com 19 pontos do mesmo índice. Um IPCA privado de apenas 2,1% no ano. Sem confisco, sem congelamento, sem tabelamento, sem CIP e sem Sunab.

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