Joelmir Beting
Exportar ou poupar
Para voltar a crescer, sustentadamente, pela média anual de 7% ao ano, a mesma praticada de 1950 a 1980, o Brasil vai ter de investir e reinvestir no setor produtivo, a cada ano, em média, nada menos de 25% do PIB. O problema é que a poupança nacional, que já foi dessa magnitude no passado, se contentou, nas duas últimas décadas, com menos de 20%, de 17% e até mesmo de 15% do PIB.
Resultado: estamos condenados a fazer círculos n'água, com crescimento meramente vegetativo, pela média de 2% ao ano. A menos que tenhamos condição física (e política) para voltar a importar de 5% a 7% do PIB em poupança externa suplementar - na impossibilidade de livrar a economia e a sociedade das amarras da política monetária anoréxica e dos garrotes do sistema tributário criogênico.
Importar poupança? Qual delas? A de aluguel dos bancos ou a de risco das múltis? Na dívida em bancos, opção vermelha, já quebramos a cara na ''década perdida'' da ''debt crisis'' dos anos 80, com moratória soberana e tudo. No capital das múltis, opção amarela, já estamos com a pilha toda. No triênio 1998/2000, as transnacionais investiram, no Brasil, US$ 88 bilhões. Ou US$ 33,4 bilhões só no ano passado, cerca de 5,4% do PIB (que cresceu 4,5%).
Tanto na remessa dos juros na dívida como na remessa dos lucros no capital, temos de financiar em moeda alheia nosso déficit externo em conta corrente, que trafega aí pela média anual de 4,5% do PIB. Cavado pela poupança importada, esse déficit tem no saldo da balança comercial, opção verde, sua cobertura mais conveniente e segura.
Saldo comercial positivo significa exportação maior que a importação na soma de mercadorias e serviços. E menos por redução forçada da importação e mais pela promoção orquestrada da exportação. No caso brasileiro, o certo seria usinar o saldo pelo alto de um intercâmbio equivalente a 30% do PIB. Digamos, exportando 17% e importando 13%. Pois ainda estamos pela metade disso.
No encontro anual dos exportadores, o Enaex, que rola desde ontem no Rio de Janeiro, com o prestígio político da participação do presidente FHC e de cinco ministros, setor público e setor privado voltam a renovar as promessas do batismo do Plano Real: nas vendas externas, furar a barreira dos US$ 100 bilhões (vamos fechar 2001 ainda abaixo de US$ 60 bilhões). No mais tardar, em 2005, véspera da instalação da Alca. Fácil? Os embarques teriam de crescer pela média de 14% ao ano. Nem na China.





