Joelmir Beting
A produção mundial de bens e serviços tende a fechar o ano com expansão modesta de 1,9%, contra 4,5% no ano passado. Desaceleração ainda maior é a das trocas comerciais entre os países. Em valor, a expansão anual mal passará de 2%, contra 12,4% em 2000 (já em tempo de pouso forçado da esfalfada águia americana).
O comércio exterior tem sido o principal reator de dezenas de países emergentes, em especial os asiáticos, tripulados pelo planeta China. Cuja estréia no mercado mundial se deu com o mercador veneziano Marco Pólo, no século 12. Dizem até que Marco Pólo foi o ''inventor'' da globalização. De tal sorte, que acabou amargando prisão de 4 anos quando se atreveu a fazer negócios no enciumado entreposto de Gênova - palco recente de violentas arruaças contra a globalização...
Estudo divulgado pela Organização Mundial de Comércio (OMC) revela que, na década passada, com expansão média de 6% ao ano, o comércio global saltou de 19% para 29% da economia mundial. O Brasil virou pingente desse bonde que passa. Nossa fatia no mercado mundial encolheu de 1,2%, em 1990, para 0,9% no ano passado. No período, nossa posição no ''ranking'' das exportações baixou do 21.º para o 28º lugar. Exportando em 2000 duas vezes mais que o Brasil, o México escalou do 37º para o 13º lugar.
E o que dizer da China? Será que ela não deveria dar prioridade (até mesmo exclusividade) a um mercado interno que hospeda um terráqueo em cada cinco? Nada disso. O governo comunista chinês esqueceu-se de rezar a cartilha dos economistas ocidentais da escola estruturalista e não teve a cabeça lavada pelo modelo latino-americano da Cepal - para o qual, ainda hoje, mercado interno e mercado externo são alternativos...
O partidão chinês preferiu, já nos anos 80, fazer a clonagem do modelo japonês. De resto, clone já então testado com êxito, nos anos 80, por Taiwan e Coréia. Modelo japonês? Sim, o dos anos 60, assim festejado pelo então primeiro-ministroTakeo Fukuda, em 1968: ''Copiar para criar, criar para competir e competir para vencer.'' Com o histórico repto-banzai: ''Queremos, em duas décadas, decuplicar o PIB da União Soviética, ultrapassar o PIB da Alemanha Ocidental e igualar em até 60% o PIB dos Estados Unidos.'' Façanha cumprida ao pé do verbo a partir de 1984.
Para o ano que vem, os fluxos externos de comércio estarão atrelados à recuperação (ou não) das economias da tríade Estados Unidos, União Européia e Japão - donos de 77% do comércio internacional.





