''Simples: o patriota ama a pátria; o nacionalista odeia o mundo.''
Octavio Paz (1914-1998), escritor mexicanoFicamos em casa
Turismo rima com otimismo. Não dá liga com pessimismo e muito menos com terrorismo. Vai daí que a destruição criminosa das torres gêmeas de Wall Street já tem sob seus escombros ainda fumegantes algo mais que 6 mil pessoas assassinadas, sem reparação de qualquer natureza. Estão soterrados em todo o mundo, desde 11 de setembro, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT), cerca de 8,8 milhões de empregos.
O detalhe: esse megadescarte de trabalhadores ocorre na indústria do turismo, isoladamente. O setor dá emprego, em todo o mundo, a 210 milhões de profissionais. Dirá alguém que, no porcentual, o baque até que é manso: corte de apenas 4,2% da força setorial de trabalho.
Ocorre que a própria OIT adverte: é apenas um primeiro choque de uma sequência de alcance e duração ainda não previsíveis. Até porque a guerra deflagrada do terror pelo terror não tem bandeira nem fronteira. O mundo todo treme nas bases de uma percepção sinistra: quando, onde, quanto e como eclodirão novos atentados?
No relatório da OIT, divulgado quarta-feira, dá-se como certa uma retração de até 20% no mercado global do ramo. Tombo de receita agravado pelos cortes corporativos das viagens a negócio ou a trabalho. São Paulo, por exemplo, tem 75% da ocupação hoteleira lastreada no turismo de negócios e de eventos.
Pau da barraca da economia do entretenimento, o turismo é a maior indústria do novo milênio. Movimenta, diretamente, US$ 4,7 trilhões por ano. Ou perto de 13% do PIB global, segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT). Os fluxos internacionais já respondem por 14% do faturamento total. A recepção de estrangeiros é liderada pela França, com 73 milhões em 2000. A Espanha desponta em segundo, com 52 milhões, à frente dos Estados Unidos, com 49 milhões. O Brasil aparece em 28º lugar, com 5,2 milhões.
O inventário dos estragos, pela OIT, dá carona às perdas já consumadas da aviação comercial. Cujos negócios estolaram em mais de 30% desde 11 de setembro. O setor já amargava um estado de depressão econômica sem paralelo - antes que dois de seus aviões de carreira fossem covardemente arremessados contra Manhattan inocente e indefesa. Aviões civis transformados em mísseis letais, com tripulantes e passageiros a bordo. Alguém se habilita?
A defesa high tech funciona para armas de guerra. Ela não tem como controlar maletas e jaquetas de milhões de terráqueos que se locomovem dia e noite de avião, de trem, de ônibus, de navio, de carro, de moto... Ou a pé. Eu deveria estar hoje, a trabalho, em Dusseldorf, na Alemanha. E, a partir de domingo, a passeio, em Paris. Preferi ficar em casa, lambendo meus três netos.

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