''É humilhante não conseguir os frutos pelo receio de sacudir as árvores.''
Provérbio muçulmanoFim da lavanderia?
Fundada ou leviana, a suspeita é de Ernst Welteke: há toda uma coleção de indícios de manipulações antecipadas de mercado em bolsa e em câmbio por obra e desgraça dos atentados terroristas de 11 de setembro. Movimentos volumosos e atípicos com ações e derivativos de empresas de aviação e de seguros. Onde? Em fundos e bolsas americanos e europeus.
Tais indícios, ainda meramente contábeis, dariam alguma pista para o esquema de combate jurídico à lavagem de dinheiro do terrorismo sem fronteira e do crime organizado de sempre - com sobras para contas numeradas e paraísos fiscais de sonegadores e corruptos de todas as bandeiras.
Em tempo: Ernst Welteke é presidente do Bundesbank, o banco central alemão. Ele deve saber do que está falando. Não é de hoje que a Financial Action Task Force, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), anda nas pegadas da montante indústria financeira da lavagem do dinheiro coberto de lama ou de sangue.
Bota indústria nisso! Para os auditores do FMI, a lavanderia bancária já se aproxima de US$ 1,2 trilhão por ano. Ou US$ 100 bilhões por mês. Os atentados que destruíram bancos instalados nas torres e no entorno do WTC levam jeito de desencadear pactos globais de governos e de bancos contra os depósitos sem crachá do terror, das armas, das drogas, das máfias e da corrupção universal.
O presidente George Bush revelou, segunda-feira, o bloqueio de 51 gordas contas bancárias, dentro e fora dos Estados Unidos, por suspeitas de ligação com a empresa Al-Hichjra. Tida como principal financiadora da organização terrorista Al-Qaeda, comandada por um milionário saudita, de 44 anos, chamado Osama bin Laden, o próprio. Ou 17.º filho de Muhammad bin Laden, o magnata mais opulento dos inesgotáveis bilhões de petrodólares da Arábia Saudita.
Em matéria de capa, edição desta semana, a revista inglesa The Economist torce o nariz para essa operação de guerra financeira nos rastilhos do terror. Primeiro, porque os bancos mais responsáveis do mundo não pretendem abrir mão do rendoso sigilo bancário. Segundo, porque os profissionais da indústria da lavagem de dinheiro são tão ou mais competentes que as autoridades monetárias e as salvaguardas bancárias.
Ou como suspira o historiador Charles Calomiris, da Colúmbia University, de Nova York: ''Se Bin Laden é capaz de recrutar 30 militantes para morrer em seu nome a bordo de aviões-bomba, não terá dificuldade alguma para recrutar 3 mil seguidores que se disponham a abrir contas bancárias inocentes pelo mundo afora...''
Secos & Molhados
Tentativa
- Pelo sim, pelo não, o Tesouro americano acaba de instalar o Foreign Terrorism Asset Tracking Centre. Objetivo: cercar esse frango doido em campo aberto. Com sobremesa jurídica: capitular e trazer para o futuro rastreamento da nova ''task force'', por legislação encomendada, também as contas do ''terrorismo moral'' do crime organizado e do ''terrorismo social'' do tráfico de drogas.
E o ''hawala''?
- Complicador pela proa: as finanças de países islâmicos ainda dão carona a práticas bancárias do fio-de-bigode, vulgo ''hawala''. Seguinte: um banco efetua pagamentos com base na promessa de que depósitos equivalentes existam em outro(s) banco(s) - sem registro contábil nas duas pontas. Por onde anda a zelosa Convenção de Basiléia?
Novo vespeiro
- Outro complicador: como enquadrar instituições financeiras de caridade, pilhadas em evidências de biombo? A Charity Commission, do governo britânico, já cassou o registro bancário, em todo o Reino Unido, da International Islamic Relief Organization. E reabre investigação sobre o Palestian Relief & Development Fund.

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