''Quando as fronteiras se fecham aos mercadores, atravessam-nas os soldados.''

Otto von Bismarck (1815-1898), estadista alemão


Torre de Babel

Os 142 países que integram a Organização Mundial do Comércio (OMC) continuam não falando a mesma língua. Eles não conseguem costurar um tratado definitivo para um intercâmbio global pactuado de produtos, capitais, seguros, patentes, serviços. De resto, trabalho de 12 Hércules atribuído a uma negociação multilateral da variedade rosca sem-fim, não por acaso rotulada de Rodada do Milênio.

Um terço deles, liderado pelos céticos Egito, Paquistão e Indonésia, não está a fim de mexer nas atuais regras do jogo, tido como injusto para as economias afluentes pero no mucho, ainda barradas no baile da globalização. Outro terço, tripulado pela tríade Estados Unidos, União Européia e Japão posseiros e grileiros do mercado mundial , desfila a lógica obtusa de Lampeduza: as coisas devem mudar para que permaneçam as mesmas.

O Brasil veste a camisa do terceiro grupo, que alinha os países emergentes com maior vocação ou tutano para ''player'' global ao lado da China, da Coréia, da Índia, da Austrália ou da Argentina. São países empenhados em erodir, a partir de uma OMC renegociada, as barreiras protecionistas de americanos, europeus e japoneses.

A instalação da Rodada do Milênio estava programada para a 3 Reunião Ministerial da OMC, em novembro/dezembro de 1999. Negou fogo. O foguetório do lado de fora, feito de arruaça antiglobalização, sob medida para a televisão, torpedeou as condições de trabalho, com sua agenda tecnicamente complexa e politicamente indigesta. Os neoprotecionistas de rua venceram.

A segunda tentativa de abertura da Rodada do Milênio está marcada para a 4 Reunião Ministerial da OMC, em novembro próximo, no nababesco Catar. Um encontro em pleno deserto árabe, fechado à militância dos inocentes úteis, quase imolados no G-8 de Gênova.

Eis que o Brasil hospeda, hoje, em São Paulo, no Memorial da América Latina, o seminário ''A América do Sul e a Nova Rodada do Milênio''. Objetivo: afinar posições em bloco para engrossar uma voz sul-americana na vasta mesa-redonda do Catar.

Coordenado pelo professor Luiz Olavo Baptista, da Faculdade de Direito da USP, o seminário terá, pelo lado brasileiro, exposições do chanceler Celso Lafer; do embaixador em Washington, Rubens Barbosa; e dos professores da USP, Gilberto Dupas e Guilherme Dias. Na abertura, um histórico da teoria e da prática no comércio mundial, por quem de direito: Rubens Ricúpero, secretário-geral da Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

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