Joelmir Beting
''Passaremos do século da Informação para o século da Comunicação. A primeira está em quem transmite. A segunda está em quem recebe.''
George Gilder, consultor americanoFibrosfera & telecosmo
O modelo de privatização e de regulamentação do setor de telecomunicações será reavaliado, hoje, durante seminário, em São Paulo, por operadores, investidores, consultores e o comando da Anatel, tripulada por Renato Guerreiro.
A percepção coletiva é a de que as coisas estão funcionando (na energia, no petróleo, no saneamento e nos transportes, ainda não). O modelo foi recortado pelo ''trator'' Sérgio Motta. Que me disse, em março de 1995, no Jornal da Globo: ''Nosso compromisso deve ser doravante com a urgência e não com a perfeição. A perfeição a gente vai buscando a cada passo no longo processo de regulamentação.''
Naquela época, o monopólio estatal do Sistema Telebrás era de corte soviético: de costas para o mercado. Pagava-se na bolsa paralela da telefonia estatal, feita de exclusão social, até US$ 10 mil por uma nova e urgente linha telefônica. Mais que um carro zero-quilômetro.
As operadoras privatizadas e as novas telefônicas agregadas devem investir, este ano, cerca de R$ 13 bilhões. Guinchados pelo último lance de antecipação de metas de desempenho, passaporte para a abertura geral do mercado, a partir de janeiro. Já incluída, no cálculo, a desaceleração neste segundo semestre, o do apagão.
O desafio do setor, no ''front'' do capital, é telúrico: expandir, modernizar, digitalizar, convergir, diversificar, assumir o sem-fio de terceira geração, embarcar nas fibras ópticas de quarta geração, universalizar os serviços (inclusão social), suportar a guerra tarifária, entrar de sola na transmissão de dados, tourear os novos marcos regulatórios, qualificar recursos humanos já escassos, por aí.
E não menos arrepiante: adivinhar os desdobramentos tecnológicos, mercadológicos, corporativos e patrimoniais da futura rede global de largura infinita de banda. Sim, em matéria de banda larga, ainda estamos na idade da banda lascada.
A esse respeito, recomendo a leitura de Telecosmo, de George Gilder, lançado entre nós pela Campus. O autor, que dispensa apresentação, descreve a era pós-computador e pós-televisor e esboça a revolução que se aproxima na garupa da futura banda de largura infinita - com tremendos impactos na economia e na sociedade dentro de mais dez anos, se tanto.
Com um aviso aos navegantes da fibrosfera planetária: um único filamento da nova fibra óptica, já dominada em laboratório, vai carregar 1.100 vezes mais informação do que a soma de todas as redes sem fio do ano 2000. O mesmo filamento aceitará 104 vezes mais largura de banda que todos os satélites hoje em órbita. Vixe!
Secos & molhados
Espectro
- Esqueçam a potência, a energia e o silício, fatores escassos. A banda de largura infinita implica a suprema multiplicação e reutilização do espectro (o novo fator abundante). Do que resultará uma fibrosfera (a serviço do Telecosmo) cada vez mais capaz, limpa, segura, barata, democrática ou universal.
Já chegou
- A fábrica da Lucent, em Atlanta, acaba de lançar 1.200 comprimentos de onda por fibra e 864 fibras por cabo. Algo parecido com 11 bilhões de bits por segundo em cada comprimento de onda. Isso totaliza 8,6 petabits por segundo num único feixe de fibras. Ou mais de 870 vezes o tráfego de todas as teles do mundo em 1997.
Bola-de-neve
- A largura infinita substitui a potência limitada. Ela já dobra a cada quatro meses. Para cada redução de uma unidade de preço ou tarifa, a largura infinita vai gerar seis unidades de demanda.
Dá para tomar um chip antes?





