''Falar com o Japão pagando apenas 6 centavos de real por minuto? É como comprar quatro pneus novos e levar o carro zero de brinde.''


José Maria de Jesus, cunhado de dekassegui


Teste de mercado

A batalha tarifária Intelig/Embratel, iniciada há exatamente um mês, pontifica em tarifas internacionais de sete a nove vezes abaixo dos respectivos custos. Pode? Esse expediente de mercado é da variedade canibalesca e só pode ter vida curta.

A lógica da competição tem limite físico. No caso, ela tem justificativa, se por prazo curto, no aliciamento e na fidelização da clientela. A qualquer custo? Depende do benefício pretendido. Maior a massa de usuários cativos do 23 ou do 21, maior o poder de barganha de contratos e de parcerias da operadora com as gigantes do lado de fora, americanas, européias ou japonesas.

A farra dos usuários brasileiros, ainda que fugaz no tempo, também tem a ver com um chega-pra-lá da Intelig e da Embratel na pirataria que se infiltrou na telefonia sem fronteira. De resto, pirataria patrocinada por desvãos das novas tecnologias da informação. Nos cálculos da Intelig, o desvio das ligações internacionais clandestinas, nas duas mãos, já estaria ao redor de R$ 1 milhão por dia. Algo parecido com 30% do mercado no primeiro semestre.

No mais, a batalha tarifária, movida a pesados investimentos em marketing de guerra, não deixa de ser um apronto do setor para a abertura geral do mercado telecom a partir do ano que vem. Seguinte: Embratel e Intelig, que dividem o filão das ligações internacionais, terão de aceitar a concorrência montante das operadoras de telefonia local, tipo Telemar ou Telefônica - se tais operadoras vierem a antecipar, até dezembro, as metas de desempenho estabelecidas para até 2005 pelos contratos de privatização.

A decolagem da concorrência aberta e franca significa uma reavaliação do modelo setorial de transição, baseado em mercados mapeados. Reavaliação que será discutida terça-feira, em São Paulo, durante seminário de operadores, investidores e consultores com o ''staff'' da Anatel, tripulado por Renato Guerreiro.

O setor vai para o primeiro grande teste de mercado resfolegando na estafa da tremenda correria nestes primeiros três anos de privatização do Sistema Telebrás. As operadoras de telefonia local vinham investindo em bloco mais de R$ 1 bilhão por mês até abril deste ano. Elas já baixaram esse torque em um terço.

Mas devem continuar correndo com nada menos de dez cavalos chipados no mesmo páreo do capital: 1) ampliação da capacidade; 2) modernização dos serviços; 3) digitalização das redes; 4) escalada da telefonia móvel; 5) futuras bandas do celular; 6) alianças ou aquisições; 7) antecipação de metas; 8) transmissão de dados; 9) capacitação de pessoal; 10) esforço promocional.



Secos & molhados

Regras do jogo
- Para variar, o seminário reserva bom espaço para o processo de arredondamento dos marcos regulatórios do setor. Tema que terá como expositor o vice-presidente da Anatel, Luiz Perrone. Haverá painéis para investidores, usuários corporativos e fornecedores de equipamentos.


Sai da frente
- No mais, o planejamento estratégico das operadoras de telefonia, no Brasil e no mundo, encara o dramático desafio de absorver novos choques tecnológicos na rota de luz da convergência telecom/datacom/pontocom/midiacom. E não menos eletrizante: como adivinhar os choques mercadológicos resultantes desses novos choques tecnológicos?


Uma explosão
- Vem aí a explosão telúrica da banda de largura infinita... Ela vai promover a supremacia da fibra ótica sobre o sem-fio. Assunto que reservo para a coluna de terça-feira.

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