‘‘Paradigma obsoleto: 1) acionista; 2) fornecedor; 3) distribuidor; 4) trabalhador; 5) consumidor. Paradigma moderno: ordem invertida.’’
Jim Collins, autor de Feitas para Durar e Good to Great

O que tira o sono?
O sono de quem? Do presidente da empresa. Em que campo?
O da qualificação continuada dos recursos humanos da corporação no ‘‘front’’ da competitividade do negócio. Ou se preferem: como melhorar a promoção de talentos dentro da empresa competitiva.
Eis a agenda do primeiro Fórum de Presidentes, que se desenrola nesta sexta-feira, em São Paulo. Coordenado pelo consultor César Souza, diretor do Monitor Group e expositor da Wharton School, o Fórum de Presidentes integra o programa oficial do Congresso Nacional de Recursos Humanos (Conarh 2001), programado para a semana que vem, em São Paulo.
César Souza contava atrair 50 presidentes de grandes e médias empresas. As inscrições ficaram acima de 150. Diz ele: ‘‘Devem estar mordendo a língua os que dizem que presidentes de empresas não se interessam pessoalmente por assuntos restritos à gestão de pessoal.
Pois cresce a percepção do mundo corporativo, já na Economia do Conhecimento, de que o ativo mais valioso da empresa moderna é o pessoal dentro dela.’’
Mais valioso que a base de clientes cativos? César Souza resume: 1) o pessoal é o principal ativo e o cliente é o principal objetivo; 2) o segundo não será aliciado e muito menos fidelizado se o primeiro não estiver capacitado e devidamente motivado.
Essa mudança de alcance estratégico chegou a tal ponto que César Souza sugere a substituição do crachá CEO (Chief Executive Officer) para CPO (Chief People Officer): ‘‘A denominação CEO é uma página virada. O novo presidente da nova empresa está menos para executivo e mais para maestro da orquestra dos executivos, todos detentores de poder de decisão delegado e de poder de execução compartilhado. O atributo do novo presidente, o CPO, está em saber escolher e em saber liderar. Quem souber presidir pessoas estará empresariando soluções e não administrando problemas.’’
São provocações do gênero que fazem a agenda deste primeiro Fórum de Presidentes. Onde, entre outros, o consultor Michael Fairbanks, autor de Arando o Mar, vai apresentar um modelo de variáveis intangíveis da competitividade na chamada Nova Economia.
E para quem ao novo perfil de presidente cabe interessar-se mais pelas pessoas dentro da empresa (e do mercado) do que pelas variáveis doentias da macroeconomia do câmbio, dos juros, dos impostos, dos argentinos, das Alcas, dos Feds, dos Jaders, das urnas ou dos apagões.


Secos & Molhados

Saber agradar
- Cliente cada vez mais disputado ou aliciado reduz a pó a fidelidade dele à empresa e à marca. O fórum de hoje vai discutir o repto: não basta mais saber vender nem saber comprar; a ordem do novo jogo é saber agradar. Afagar o pessoal no lado de dentro para conseguir alegrar o cliente no lado de fora.
Clientividade
- E mais: se a base de clientes cativos é o objetivo maior, o certo é levar o pessoal da empresa a fazer do produto um serviço ou do serviço um produto. O novo cliente decide por um ‘‘mix’’ de valores: preço, marca, atendimento, qualidade, entrega, crédito, juro, prazo, pós-venda, promoção, opção. O novo cliente está com tudo e muita prosa: ele tem informação.
Carga pesada
- Do presidente ao porteiro, o pessoal da empresa entra em regime de educação continuada. O trabalho acaba de virar estudo. Estudo ou trabalho que o novo presidente leva para casa, para o carro, para o clube, para o bar. No micro ou no celular. A carga semanal de trabalho já oscila de 60 a 70 horas.

mockup