Visão do tempo
Porque ficamos a um quilowatt do apagão, por obra e desgraça da falta de chuvas (além da falta de regras), o Orçamento criogênico da União acaba de liberar R$ 53 milhões para a encomenda urgente de um megacomputador meteorológico. A ordem é caprichar rapidinho no monitoramento de novos modelos atmosféricos de previsão de chuvas e no rastreamento de modelos hidrológicos de vazão dos rios.
Tradução: vamos operar, já em 2002, um sistema de previsão meteorológica de padrão americano, canadense ou australiano - para ficar no comparativo com países continentais. A margem de acerto das cartas estará acima de 90% nas primeiras 24 horas. Com alcance para toda a América do Sul e resolução espacial para cada 30 km.
A iniciativa é do Ministério da Ciência e Tecnologia. A operação é do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, vinculado ao Instituto Nacional de Atividades Espaciais (Inpe). A montagem do megacomputador é da Nec japonesa, com financiamento de banco japonês. Um sistema 50 vezes mais veloz e mais capaz que os já em operação no País. Ele realiza até 650 bilhões de cálculos por segundo.
Com o megacomputador da Nec, o braço meteorológico do Inpe estará capacitado para desenvolver estudos de alcance global e não apenas continental. Incluído o patrulhamento brasileiro do efeito estufa planetário, sob o guarda-chuva do Protocolo de Kyoto.
Diretor do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, Carlos Afonso Nobre informa o seguinte: no atual estágio tecnológico, para cada dólar investido na melhora dos serviços meteorológicos há a garantia de um retorno médio de US$ 9,50 para a economia nacional como um todo. Esse cálculo, revisado no ano passado, é da Organização Meteorológica Mundial.
O desenvolvimento da meteorologia verde-amarela embarca no mesmo filão do sensoreamento remoto via satélite. A médio prazo, teremos condições de igualar a excelência dos americanos na previsão do tempo, nos estudos do clima, na rastreabilidade de tempestades, ressacas e nevoeiros e no aviso prévio de estações chuvosas de peso ou de ciclos de estiagem de risco.
Algo parecido ocorre com os avanços do sensoreamento remoto via satélite. Tais serviços, geralmente notados na denúncia de queimadas amazônicas, estão permitindo ao Brasil antecipar-se aos americanos na previsão de nossas próprias safras agrícolas. Uma aferição de campo preciosa para a articulação e/ou manipulação dos mercados internos e externos. Em especial, as bolsas de Chicago.
Secos & Molhados
Lagás
- Outra iniciativa energética do Ministério da Ciência e Tecnologia: a instalação, no Rio de Janeiro, do Laboratório Nacional do Gás (Lagás). Financiado pela Finep, o Lagás entrou em operação há duas semanas. Com crachá do Instituto Nacional de Tecnologia e sinal verde da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Matriz
- Tarefa do Lagás: concentrar pesquisas até aqui dispersas sobre a introdução do gás natural na matriz energética brasileira. O programa emergencial do setor, agora desembrulhado pelo Ministério do Apagão, prevê elevar a fatia do gás natural na matriz brasileira de 2% para 12%, ainda nesta década.
Câmbio
- Investidores privados em usinas a gás natural sustentam que a decolagem do setor se deu agora com a tardia definição das regras de absorção do chamado risco cambial (do gás importado). Risco a ser assumido pela Petrobrás, mas repassado, anualmente, aos consumidores finais. Claro.

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